quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Lavradores migram do Norte para o Noroeste de Minas, mas são 'perseguidos' pela seca

Confiantes na fama de celeiro do Noroeste, famílias que deixaram terras áridas em busca de vida melhor na região são vítimas do avanço da desertificação
Mateus Parreira, Estado de Minas Publicação: 17/09/2013
Dom Bosco – Foi com muito sofrimento que o lavrador Wellington Inácio Siqueira, de 30 anos, aprendeu como sobreviver à aridez da estiagem do Norte de Minas, entre as cidades de São Francisco e Pintópolis, onde o gado magro engana a fome comendo cactos de palma picada e a água viaja em baldes na cabeça do sertanejo ou no lombo de jegues. Logo cedo ele se tornou chefe de família, aos 15 anos – o que é comum naquelas bandas. Foi quando nasceu Camila, sua primogênita. Wellington procurou emprego fixo nas fazendas e engenhos, mas a pouca idade e as dificuldades que a seca impunha aos fazendeiros o fizeram tomar o rumo dos flagelados do semiárido. Com três filhos e a mulher, deixou a terra natal e seguiu estrada afora, sujeitando-se a trabalhos temporários, de sol a sol, em péssimas condições de alojamento e alimentação. "Ganhava mal e trabalhava muito, mas só assim trazia o pão e o feijão para casa", lembra. A família passou seis anos vivendo à beira de rodovias, até que uma notícia lhes trouxe esperanças de sair da miséria. Foram selecionados para o Assentamento Novo Progresso, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no município de Dom Bosco, no Noroeste do estado. Estavam esperançosos, pois trocariam as dificuldades do Norte de Minas por uma nova chance nas terras férteis do Noroeste, o maior produtor de grãos de Minas, onde prosperavam fazendeiros vindos de várias regiões do Brasil. Mas não era nada disso que o destino reservava para os cinco retirantes. Como um flagelo que os persegue, a falta de chuvas e a degradação dos solos atingiu também a área onde receberam um terreno para cultivar, ao lado de outras 39 famílias de origens diversas. "Nossos poços artesianos secaram. É preciso viajar três quilômetros para encher os tambores d'água. Não podemos plantar hortas e nem uma roça de feijão aqui vinga, por causa da seca. Viemos procurar o melhor. Mas, infelizmente, aqui não é melhor", desabafa.A situação de Wellington e de sua família ilustra como o desmatamento e o manejo predatório do solo, somados às mudanças nos regimes de chuvas e no clima, tornaram o Noroeste de Minas a nova fronteira da sede no estado. Quem vive da terra em cidades como Arinos, Bonfinópolis de Minas, Buritis, Dom Bosco, Formoso e Urucuia já convive até com o processo mais grave de degradação dos solos, a desertificação, que pensava-se estar restrita às áreas do semiárido, como o Norte de Minas. De acordo com levantamentos do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Urucuia, que abrange a região, pelo menos 180 mil hectares – uma área equivalente a três vezes a capital mineira – encontram-se em estágios diferentes de desertificação, como mostra desde domingo a série de reportagens do Estado de Minas. A desertificação fulminou as nascentes que corriam próximas ao assentamento Novo Progresso. De acordo com a Prefeitura de Dom Bosco, as precipitações, que chegavam à marca anual de 1.200 milímetros, em menos de uma década já não passam mais de 900 milímetros, próximo do nível do semiárido, que é de 800mm. "Além de escassas, as chuvas encontram o solo muito degradado e, em vez de penetrar na terra para abastecer os lençóis freáticos, viram enxurradas e destroem ainda mais os terrenos. Em muitas dessas terras não nasce mais nada que se planta e por isso são abandonadas", afirma o secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Dom Bosco, Marcus Vinícius Pereira. Por isso, não adianta mais furar poços nas propriedades rurais do assentamento. O único local que as 40 famílias dispõem para conseguir água é um poço artesiano perfurado pelo Incra e mantido pela prefeitura, mas que tem diversos problemas. A água fica estocada em uma caixa-d’água enferrujada, que precisa de limpeza. Por causa da falta de energia, que de acordo com os moradores é frequente, a água deixa de ser puxada pela bomba. Na frente do reservatório, os colonos fazem fila com baldes nas mãos. Quem mora mais perto traz seus vasilhames em carrinhos de mão e sobre a cabeça. Moradores mais distantes usam carroças e carros de boi, revivendo cenas típicas do Norte de Minas. As crianças do assentamento têm em comum, além dos bodoques que trazem enfiados nas bermudas, a determinação de ajudar os pais, seja puxando as carroças com tonéis de água ou na roça. Forjado no semiárido, Wellington ainda tem força de vontade para atitudes que para muitos parecem desesperadas, como escavar o fundo ainda úmido de uma das cacimbas que a comunidade perfurou para reter a água das chuvas para o gado beber. Debaixo das placas de barro rachado ele ainda encontra uma lama úmida que os bois magros lambem para não morrer de sede, recurso que só os sertanejos experimentados ainda conhecem. De acordo com o Incra, o poço do assentamento Novo Progresso tem vazão de 16.600 litros/hora e serve a 42 famílias. “Uma licitação encontra-se em fase de elaboração do projeto básico para contratação de serviços em várias regiões, inclusive o Norte de Minas, para atender cerca de 600 famílias”, afirmou o instituto, em nota.

Avanço da desertificação aumenta drama dos agricultores que já sofrem com estiagem

Norte de Minas é região do semiárido onde mudanças climáticas têm maior efeito
Luiz Ribeiro Publicação: 17/09/2013 06:00 Atualização: 17/09/2013 07:23
Francisco Sá, Montes Claros, São João da Lagoa e Verdelândia – O pequeno agricultor Valdionor Alves Moreira, de 63 anos, da localidade de Canabrava, em Francisco Sá, no Norte de Minas, sempre sofreu com as estiagens prolongadas que castigam a região. Mas além da "má vontade de São Pedro", lavouras perdidas, falta de pasto e dificuldade para conseguir água, Valdionor passou a conviver com outro problema: o desaparecimento completo da vegetação em áreas do terreno onde mora. Da sua casa, de onde se via uma paisagem carregada de plantas nativas. Hoje, é um morro limpo, com marcas de erosão. "Para mim isso é o fim dos tempos", lamenta. O drama do pequeno produtor de Francisco Sá expõe um fenômeno que cada vez mais desperta a atenção das autoridades e dos ambientalistas: o início do processo de desertificação. Um problema que preocupa a Organização das Nações Unidas (ONU) desde 2010, uma vez que mais de um bilhão de pessoas estão com a subsistência ameaçada pela desertificação. Conter a ameaça é uma das metas da ONU, com a campanha "Década para os desertos e a luta contra a desertificação".No caso do Norte de Minas, a preocupação é ainda maior pelo fato de a região fazer parte do semiárido brasileiro, que tende a sofrer mais com os efeitos das mudanças climáticas que já vem sendo observada há muito tempo. Estudos apontam que, além de Francisco Sá, foram verificados locais com processos mais intensos de devastação e sinais de desertificação, segundo especialistas, devido à seca, desmatamento, monocultura de eucalipto, retirada irregular de areia e outras formas de degradação ambiental. "Existem áreas no Norte de Minas que estão propensas à desertificação, por conta do avançado processo de degradação", afirma o professor Expedito José Ferreira, do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Ele disse que estudos realizados pela instituição indicaram locais com riscos de desertificação, especialmente em Francisco Sá, Montalvânia, Monte Azul e Espinosa. O fenômeno também é verificado em Araçuaí e Itinga, no Vale do Jequitinhonha. "Estamos com processo de degradação ambiental elevada em diversas áreas que levam para desertificação", observa Expedito José Ferreira, lembrando que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) considera comprometidas pelo fenômeno "as regiões que se caracterizam pela perda do potencial biológico, em condições semelhantes aos desertos já conhecidos no mundo". O especialista aponta como causas da degradação a erosão acelerada, desmatamento (principalmente de matas ciliares), poluição e assoreamento das nascentes e dos rios. "Quando se retira a cobertura vegetal, o solo fica mais exposto às intempéries. A cada ano, observamos o avanço desse processo com maior intensidade, o que demonstra a necessidade de maior atenção com medidas mitigadoras para conter a desertificação", avalia Ferreira. REPLANTIO EM VÃO Vizinho de Valdionor, o também agricultor José Rodrigues Fernandes Júnior convive com os "peladores" na propriedade de sua família, que tem 75 hectares. "Para mim, isso é conseqüência do desmatamento", afirma. "Há uma parte do nosso terreno onde já tentamos recuperar duas ou três vezes, arando a terra e plantando capim. Mas a gente planta e não nasce nada", reclama. O processo de degradação e tendência de desertificação é verificado também em Espinosa, um dos municípios do Norte de Minas mais castigados pelas secas, situado na divisa com a Bahia. "O processo vem se intensificando cada vez mais em Espinosa, com o secamento de rios e córregos e formação de voçorocas (erosão), algumas delas com cinco metros de profundidade e 12 metros de largura", relata Marco Aurélio Tolentino, ex-secretário de Agricultura do município. Em Espinosa e em Monte Azul as chuvas anuais diminuíram, fenômeno que a ONU/Pnud também considera como um fator preocupante das mudanças climáticas que representa riscos de desertificação. "Há registros de seca no município desde 1899. Mas a partir de 1975, a escassez de chuvas se intensificou. Existem algumas localidades do município onde o índice pluviométrico é de apenas 300 milímetros ou até 380 milímetros por ano. A produção de mantimentos caiu 70%", observa Marco Aurélio. "De uns tempos para cá, as coisas foram arruinando. Chove muito pouco e rios e córregos secaram. A gente não consegue colher mais nada”, conta Laura Pereira da Silva, de 54 anos, moradora da localidade de Passagem das Canoas, a 110 quilômetros de Espinosa. Ela lembra que o Rio Verde Pequeno, que passa pelo lugar, corria caudaloso o ano inteiro e hoje está seco. “Aqui é chamado de Passagem das Canoas porque só era possível atravessar o rio de canoa. Hoje, praticamente, a gente nem vê direito o sinal de onde passava a água do rio", descreve a mulher.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Montes Claros comemora 156 anos

Feliz aniversário, Montes Claros! Minha querida e princesa Montes Claros, que saudades! - Hoje mais uma data importante, num cenário diferente do tempo em que ensinava- me a dar meus primeiros passos, e graças a Deus, seu povo começa a ver com olhos próprios e não através da lente de algum falso mentor. O mais interessante é que continuo com a mesma paixão de dantes e você minha amada, ainda guarda as belas festas de Agosto que tanto me fizeram sorrir. Fostes minha companhia, e todas as horas que precisei de um abrigo, amigo, um acalento e oportunidade de olhar pelas estradas reais lá estava você, indicando- me a direção que poderia tomar. Mesmo de longe ainda sinto seus ares de julho como se estivesse adormecido em teu seio e acordado mais calma. Mas, hoje logo cedo, quando me dei conta de que o berço que havia acordado não era o teu, um acesso de ansiedade tomou conta de meu corpo. Era a falta de seu abraço aquecedor com resquícios de saudade. Contudo, carrego em mim a vontade de revê-la em breve. Tenha certeza amada que em meus sonhos mais ternos nossos caminhos sempre se encontram. De uma repatriada saudosa e nostálgica! Valéria Esteves Filha de coração do Arraial das Formigas

Região Central de Minas precisa aumentar produção de grãos

Atender a uma demanda de aproximadamente um milhão de toneladas de milho por ano. Esse é o desafio colocado para a região de Sete Lagoas-MG. Enquanto cresce o consumo de grãos pelas empresas instaladas na região, a área plantada com milho foi reduzida cerca de 60% nos últimos dez anos e o cereal tem sido importado de outros estados, como Goiás e Mato Grosso.
"É preciso que a gente se prepare para 'mineirizar' esse milho. Devemos ter produção que atenda a demanda local. Fácil não é, mas não é impossível. Temos um grande potencial a ser explorado", afirma o prefeito de Sete Lagoas Márcio Reinaldo Moreira. O prefeito atualmente é presidente da Amav (Associação dos Municípios da Microrregião do Alto Rio das Velhas). Segundo ele, a entidade se prepara para atuar como agência de fomento. Márcio Reinaldo destaca que em Sete Lagoas as empresas Agrogen, Elma Chips e Ambev já apresentam uma demanda anual que supera um milhão de toneladas de milho e o consumo local deve aumentar com a provável instalação de uma fábrica de ração da Itambé no município. "É importante a gente ter um bom projeto, com contratos específicos com esses grupos empresariais. Devemos contar com a participação dos bancos, da Secretaria de Estado e do Ministério da Agricultura", completa. O coordenador técnico regional de culturas da Emater-MG em Sete Lagoas Walfrido Machado acompanha a produção agrícola em 27 municípios. Em levantamento, ele constatou que a área plantada com milho na região em 2002 era de 22.500 hectares. Já, no ano de 2012, a área havia decrescido para 9.600 hectares. Walfrido avalia que o risco de perdas com a cultura é a principal causa da redução. Na última safra, cerca de 1.000 hectares foram perdidos na região por causa da forte estiagem. O extensionista, no entanto, vê possibilidades de incrementar a produção de milho e aponta estratégias. "O potencial para irrigação é subutilizado. Existem alternativas, como a aspersão por tubo enterrado, que é uma opção para pequenas áreas e exige menor consumo de água e de energia", comenta. Para Walfrido, é preciso investir em gestão e tecnologias para garantir maior eficiência produtiva. O pesquisador da Embrapa José Carlos Cruz analisa o perfil da produção de milho na região e destaca que o rendimento médio é de 4.146 quilos por hectare e predominam pequenas lavouras, com baixo nível tecnológico. "Em 80% das propriedades, a colheita ainda é manual; a mecanização é deficitária, sendo que 65% dos agricultores contratam serviços de terceiros para preparo do solo e plantio, há baixa adoção de tecnologias e grande deficiência das condições de armazenamento", explica. O pesquisador aponta algumas tecnologias que devem ser adotadas para aumentar a eficiência produtiva: recuperação da fertilidade do solo (correção de acidez, através do uso de calcário e gesso); adubação orgânica (com aproveitamento da grande quantidade de cama de frango disponível na região); sistema de plantio direto (para melhorar a retenção de água, reduzir os custos de produção e minimizar os riscos com as estiagens); integração lavoura-pecuária-floresta (consorciando o cultivo do milho com a renovação de pastagens); utilização de irrigação; e armazenamento adequado de grãos. José Carlos Cruz defende que é possível aumentar a produção de milho desde que seja adotado um planejamento consistente. "É possível suprir uma parcela mais significativa da demanda, com utilização de tecnologias voltadas para alta produtividade, em áreas onde o relevo favoreça o plantio e a colheita mecânica. E, assim, aumentar a renda obtida pelos agricultores, incentivando a produção em alta escala e a exploração sustentável dos recursos naturais." O pesquisador afirma que é necessário mudar o cenário regional. "As ações deverão levar em conta os investimentos em máquinas e equipamentos agrícolas, assim como em infraestrutura para secagem, beneficiamento e armazenamento de grãos. É preciso ter disponibilidade de crédito para esses investimentos, assistência técnica e, especialmente, produtores aptos e interessados em investir nesse segmento do agronegócio." As oportunidades para o desenvolvimento regional foram tema de painel realizado durante a 6ª Semana de Integração Tecnológica, que ocorreu na Embrapa Milho e Sorgo de 20 a 24 de maio. Na ocasião, políticos, pesquisadores, extensionistas, empresários e produtores rurais debateram gargalos e alternativas para impulsionar o agronegócio na Região Central de Minas.

Controle biológico de pragas ganhará aliado na aviação agrícola

As crescentes infestações de novas pragas e de espécies já comuns aos agricultores nas lavouras de milho, soja e algodão no Brasil – como a Helicoverpa armigera – têm motivado as empresas de pesquisa a concentrar esforços em alternativas de controle biológico e em mudanças no manejo, como a aplicação dos conceitos do MIP (Manejo Integrado de Pragas) e a utilização da área de refúgio em lavouras transgênicas. No entanto, um dos desafios dos pesquisadores é levar às extensas áreas de plantio um agente de controle biológico que apresenta alta eficiência no controle de diversas espécies de pragas: as vespinhas do grupo Trichogramma, um inseto diminuto, mas com alto índice de parasitismo natural. “Até hoje, a aplicação do Trichogramma em grandes áreas se mostrou inviável pela grande demanda por mão de obra, já que as cartelas com os ovos do parasitoide são colocadas manualmente na lavoura do milho”, explica Antônio Álvaro Corsetti Purcino, chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG). Para tentar mudar essa realidade e levar a tecnologia a plantios de grande extensão, a Embrapa, a Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso), a Fundação Mato Grosso, a ABR Controles Biológicos e o Grupo Gianchini, de Cláudia-MT, estão planejando testes de aplicação aérea do Trichogramma em uma área experimental próxima à cidade matogrossense de Cláudia, a cerca de 120 km de Sinop. “Os testes iniciais serão feitos em uma área limpa, sem plantios, para que os pesquisadores verifiquem a distribuição espacial do Trichogramma liberado”, explica Antônio Álvaro. Diferentes metodologias de liberação serão testadas nas próximas semanas. “Estamos na fase de avaliação de qual forma será mais eficiente, pois já sabemos, teoricamente, a quantidade necessária de Trichogramma por hectare”, explica. Ainda segundo Antônio Álvaro, o grupo responsável pela aplicação aérea deverá calibrar fatores como altura do voo, velocidade do avião e abertura do sistema para liberação do Trichogramma. O método de aplicação aérea do Trichogramma pode, inclusive, atuar no controle da mais nova praga das lavouras de milho, a Helicoverpa armigera, em que as ocorrências de maior severidade foram registradas no Oeste da Bahia, causando perdas elevadas na produtividade, mesmo com a aplicação de inseticidas químicos. “Geralmente essa praga fica escondida na espiga sob a palha, e os inseticidas não atingem o inseto. Como o Trichogramma é um inimigo natural da lagarta, o método de controle biológico deverá ser bem mais eficaz”, reforça Antônio Álvaro. “Essa técnica pode aprimorar e muito o controle de pragas no Brasil”, completa. Após as fases de acerto dos testes e da melhor metodologia de aplicação, a tecnologia poderá ser levada ao agricultor. Abaixo, veja as responsabilidades de cada empresa. Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária): detentora da tecnologia sobre a multiplicação e o uso de 17 espécies que controlam diferentes pragas na cultura do milho, sobretudo a lagarta-do-cartucho, a que mais traz prejuízos ao produtor rural brasileiro. Os trabalhos envolvem parasitoides que agem especificamente sobre os causadores de pragas como as lagartas-do-cartucho e da-espiga e o pulgão-do-milho. ABR Controles Biológicos: produção, em escala comercial, das vespinhas do grupo Trichogramma. Grupo Gianchini: grupo produtor de soja e milho com áreas de integração lavoura-pecuária. Será responsável pela liberação aérea do Trichogramma. Parceiros: Aprosoja e Fundação Mato Grosso. Como é feito hoje – Aplicadas manualmente e na maioria das vezes em pequenas lavouras de propriedades familiares, as vespinhas do grupo Trichogramma parasitam os ovos da mariposa impedindo o nascimento e a eclosão das lagartas. Com isso, controlam a praga antes que sejam causados danos à cultura. As vespinhas apresentam eficiência tanto no controle da lagarta-do-cartucho como no controle do complexo de Helicoverpa (zea e armigera). “O alto índice de parasitismo natural de ovos da lagarta-da-espiga indica a adaptação da espécie benéfica ao agroecossistema milho e a real possibilidade de uso também para o controle da nova espécie, H. armigera”, relata Ivan Cruz, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo. Mais informações: Núcleo de Comunicação Organizacional (NCO) da Embrapa Milho e Sorgo, Unidade da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), vinculada ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento): (31) 3027-1905 ou cnpms.nco.geral@embrapa.br .

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Plano Safra 2013/2014 disponibiliza R$ 1,8 bilhão para Banco do Nordeste aplicar na agricultura familiar

Plano Safra 2013/2014 disponibiliza R$ 1,8 bilhão para Banco do Nordeste aplicar na agricultura familiar Salvador (BA), 07 de junho de 2013 – Lançado pelo Governo Federal, na manhã desta quinta-feira, 6 de junho, em Brasília (DF), o Plano Safra da Agricultura Familiar 2013/2014 disponibilizou R$ 1,8 bilhão para o Banco do Nordeste aplicar na agricultura familiar. O montante representa um crescimento de 25% em relação à meta do plano anterior (R$ 1,5 bilhão). O BNB responde por 92% do crédito para o setor em sua área de atuação. Durante seu discurso, a presidenta da República, Dilma Rousseff, destacou o apoio do Banco do Nordeste à política nacional de microcrédito produtivo e orientado, por meio do Programa Agroamigo. “Assim como o BNB faz na zona urbana, faz na zona rural, junto às mulheres e jovens agricultores. Essa política possibilita que utilizemos o sistema financeiro não só como emprestador de dinheiro, mas também como garantidor do acompanhamento desse processo. Eu sei que o pequeno agricultor agora tem vez e voz no Brasil”, afirmou. Segundo o presidente do Banco do Nordeste, Ary Joel Lanzarin, o Agroamigo é o maior programa de microfinanças rural da América do Sul, com crédito orientado e acompanhado. “É uma experiência pioneira e exitosa, integrada a políticas e programas governamentais, como Plano Brasil sem Miséria e Bolsa Família”, afirma. Ele também destaca a grande participação das mulheres na carteira ativa do programa, bem como o foco na inclusão financeira e conscientização ambiental dos microempreendedores. Em todo o Brasil, o atual Plano Safra tem a meta de investir R$ 39 bilhões. Desse montante, R$ 21 bilhões serão para financiamentos através do Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Neste ano, os limites para o enquadramento no Pronaf foram ampliados, tanto para operações de custeio, quanto nas de investimento. Agora, por exemplo, as famílias com renda de até R$ 360 mil no último ano poderão contratar o crédito no âmbito do Pronaf e, assim, investir na produção.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Navio com milho argentino atraca hoje em Salvador

Brasília, 17 - O navio com 20 mil toneladas de milho argentino, compradas pelo governo brasileiro para alimentar os rebanhos de pequenos criadores atingidos pela seca na Bahia, atraca na próxima quarta-feira, 22, no porto de Salvador. A compra do milho foi feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) por meio de leilão público. A Nidera Sementes, subsidiária da trading holandesa do mesmo nome, quando arrematou o lote, pretendia entregar milho depositado em Luis Eduardo Magalhães (BA), mas optou por buscar milho na Argentina por causa da enorme fila de caminhões para embarque de soja no porto baiano. Segundo a empresa, mesmo com a importação o custo da operação foi o mesmo. O governo comprou 83 mil toneladas de milho a granel com frente incluso e descarga nos portos nordestinos, que serão doadas aos governos estaduais para venda a preços subsidiados nos municípios do semiárido. Um lote de 30 mil toneladas foi arrematado pela Coamo, cooperativa de Campo Mourão (PR), para desembarque até 13 de junho no porto de Recife. Outro lote de 25 mil foi arrematado pelo Grupo Getúlio Viana, empresa de Primavera do Leste (MT), para entrega até 18 de junho em Pernambuco. A intenção inicial era comprar 103 mil toneladas a granel, mas não houve interesse das tradings na venda de um lote de 28 mil toneladas, sendo 16 mil para entrega na Paraíba e outras 12 mil toneladas no Rio Grande do Norte. Na próxima quarta-feira o governo realiza um novo leilão para compra das 28 mil toneladas, mas desta vez a entrega do cereal já ensacado será feita por caminhões diretamente nos postos de distribuição da Conab dos municípios atingidos pela seca. O leilão de milho ensacado para o Rio Grande do Norte e Paraíba teve uma mudança em relação aos anteriores, que é a entrega do cereal sobre rodas. A responsabilidade do desembarque agora será da própria Conab, para reduzir o custo de descarga, pois os sindicatos de trabalhadores braçais cobram R$ 1,50 pela retirada de cada saca de milho dos caminhões. O milho chega ao Nordeste por R$ 40/saca, em média, e é vendido aos criadores por R$ 18,12/saca em lotes de até 3 toneladas e a R$ 21/saca até 6 toneladas. Fonte: Estadão Conteúdo

Milho Argentino chega no porto de Salvador hoje

Caos logístico força governo a trazer milho da Argentina para o Nordeste Conab tem estoque de milho no interior da Bahia, mas teve de importar o cereal para atender regiões atingidas pela estiagem Apesar da safra recorde deste ano, entraves logísticos obrigarão o governo federal a receber milho argentino para ajudar no combate à maior seca dos últimos 50 anos no Nordeste. O caos logístico, que prejudica o escoamento da produção para a exportação, também impede o transporte do milho guardado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no interior da Bahia. Como solução, a companhia decidiu trazer o cereal da Argentina. Trata-se do segundo problema logístico de grandes proporções, em conjunto com as filas de caminhões para embarcar a supersafra de grãos em alguns portos brasileiros. É, também, uma ironia, tendo em vista a situação de ampla oferta de milho no mercado interno, o que leva os produtores brasileiros a pressionar por medidas de apoio ao escoamento da safra, já que falta espaço nos armazéns no Centro-Oeste e há risco de ser estocada a céu aberto. O lote de 20 mil toneladas de milho argentino, que será entregue no Porto de Salvador, foi a primeira compra do governo em leilões realizados pela Conab. Ao todo serão compradas 103 mil toneladas de milho para atender os pequenos criadores que sofrem com a seca prolongada. O cereal será doado aos governos estaduais, que serão responsáveis pelo ensacamento, transporte e distribuição. O Nordeste enfrenta a maior seca em mais de meio século, com 1.386 municípios em situação de emergência, segundo a Secretaria Nacional de Defesa Civil. Em visita à região, a presidente Dilma Rousseff prometeu a entrega de 49,1 mil toneladas de milho e máquinas escavadoras. Neste ano, o Brasil deve colher 78 milhões de toneladas de milho, 7% mais que na safra passada, segundo a Conab. Fila. No caso do milho argentino, a intenção inicial da Nidera Sementes, subsidiária da trading holandesa do mesmo nome, era entregar o cereal estocado em Luiz Eduardo Magalhães, município do oeste da Bahia a cerca de mil quilômetros do Porto de Salvador. Entretanto, como a fila de caminhões para embarque de soja no porto baiano é imensa, para não correr risco de atraso a empresa optou por entregar o milho argentino, que começou a ser carregado em navios na origem. A Coamo, cooperativa de Campo Mourão, será responsável pela entrega de 30 mil toneladas de milho no Ceará, com a vantagem de ter um terminal de grãos em Paranaguá. Para concluir a operação, precisará contar com a ajuda do governo para "furar a fila" de navios que estão aguardando por várias semanas a vez de atracar no porto. A Secretaria dos Portos baixou uma portaria dando prioridade ao embarque e desembarque do milho que irá para o Nordeste. A prioridade para as operações nos portos também é fundamental para o Grupo Getúlio Viana, de Primavera do Leste (MT), que vai entregar 25 mil toneladas de milho no Recife. Marcos Viana, diretor administrativo do grupo, diz que a venda ao governo foi alternativa encontrada para garantir o escoamento da produção de milho, que neste ano enfrentará dificuldades de logística e de preços, por causa da colheita de safra recorde em Mato Grosso. Ele afirma que a empresa arrematou o lote por R$ 730,80 a tonelada no Recife, mas somente de frete rodoviário até Paranaguá vai gastar R$ 300 por tonelada. Viana diz que os cálculos da cabotagem ainda estão sendo realizados, mas prevê que a margem de ganho na operação "será muito pequena". Segundo Viana, além da logística complicada existem outros fatores do chamado "custo Brasil" que são imprevisíveis. Um problema é o preço cobrado pelo sindicato dos trabalhadores braçais em municípios como Bom Jesus da Lapa (BA), para retirar o milho do caminhão. Os sindicatos cobram R$ 1,50 por saca de 60 quilos. Ele diz que na origem, com todo trabalho de ensacar o milho e colocar em cima do caminhão, o custo da mão de obra é de R$ 2 por tonelada. Setores do governo reconhecem que o cereal não resolve o problema do gado faminto no Nordeste, pois os ruminantes precisam mais da forragem escassa do que do milho. fonte: VENILSON FERREIRA / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Debate ambiental é desafio para expansão do setor elétrico, diz EPE

RIO DE JANEIRO, 21 Mai (Reuters) - O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, afirmou nesta terça-feira que um dos principais desafios para a expansão do setor elétrico é o diálogo com a área ambiental. "A gente tem um entrave na expansão...que é o diálogo com a área ambiental", disse Tolmasquim, durante evento do setor no Rio de Janeiro. "A questão de como viabilizar a expansão do ponto de vista ambiental exige tratar com áreas fora do setor...Que são cada vez mais complexas", acrescentou. O diretor da EPE disse ainda que são necessários "mecanismos mais fáceis de diálogo" entre o setor elétrico e o segmento ambiental, e que os entraves para expansão estão cada vez mais visíveis no segmento de transmissão de energia, além da geração. "A solução não é simples, não existe solução unilateral. Depende de diálogo, depende de convencimento", disse. Licenças emitidas por órgão ambientais são necessárias para início de obras e operação comercial de novos empreendimentos do setor elétrico. Em alguns casos, ainda é exigida licença prévia ambiental para possibilitar participação de grandes hidrelétricas em leilões. Empreendedores reclamam que o atraso na liberação de licenças também atrasa a operação de novos projetos, o que ainda aumenta os riscos do investimento. (Reportagem de Sérgio Spagnuolo)

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Programa Minas Leite em discussão durante a 6ª SIT

Com o objetivo de fornecer um produto de qualidade à sociedade, além de gerar condições para aumento de qualidade de vida dos agricultores e tornar a atividade leiteira mais eficiente, será realizado na próxima terça-feira, 21, o 2º Encontro Regional do Programa Minas Leite (http://www.agricultura.mg.gov.br/programas-e-acoes/minas-leite). O evento integra as atividades da 6ª SIT (Semana de Integração Tecnológica), que acontece de 20 a 24 de maio na Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas-MG. As atividades do encontro iniciam às 8h30, sendo que palestras e cursos serão realizados durante todo o dia em áreas da Embrapa e da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais). Um dos temas que será tratado é a gestão de custos na pecuária leiteira. Segundo o pesquisador João Cesar de Resende, da Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora-MG), o objetivo é discutir um método que, embora simples, permite chegar a indicadores consistentes para analisar a rentabilidade de uma fazenda leiteira. “Pela sua simplicidade e objetividade, os procedimentos discutidos podem ser utilizados não só pelos especialistas consultores da atividade, mas também pelos próprios produtores”, adianta o pesquisador. Segundo ele, procedimentos práticos serão apresentados para mensurar os custos e as receitas da atividade leiteira, “buscando simplificar e tornar mais precisa e isenta de subjetividades a análise econômica da fazenda”. “Para melhor entender os conceitos discutiremos com os participantes um exemplo prático e real”, explica. Outro assunto de grande interesse por parte dos produtores é a implantação de cerca elétrica e manejo de pastagens. O curso será realizado na Epamig e dois profissionais apresentarão o tema: o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Domingos Paciullo e o bacharel em Gestão do Agronegócio Thiago Bicalho, da Belgo. O curso irá apresentar as justificativas para o uso correto da cerca elétrica, custos, disposição dos arames e postes, itens para montagem e as vantagens desse sistema. O encontro é direcionado a extensionistas, lideranças rurais, produtores e técnicos de cooperativas. Veja toda a programação da SIT em http://sit.cnpms.embrapa.br/ . SERVIÇO 2º ENCONTRO REGIONAL – PROGRAMAS MINAS LEITE LOCAIS: Embrapa Milho e Sorgo (Rodovia MG 424, km 45, Sete Lagoas-MG): auditório do NIA (Núcleo de Informação para o Agronegócio), Vitrine de Tecnologias, áreas iLPF e Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) EVENTO: 6ª SIT (Semana de Integração Tecnológica). Informações em http://sit.cnpms.embrapa.br/ . DATA: 21 de maio de 2013 (terça-feira) HORÁRIO: 8h às 17h

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Milho biofortificado será lançado pela Embrapa

Uma cultivar de milho com quantidade de pró-vitamina A (carotenoides) cerca de quatro vezes superior à encontrada em cultivares comuns do cereal será lançada pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) no próximo dia 20 de maio. A pró-vitamina A se transforma em vitamina A a partir de reações químicas no organismo. Entre suas funções estão a manutenção de uma boa visão, uma pele saudável e um bom funcionamento do sistema imunológico. A falta dela no organismo humano resulta na hipovitaminose A, considerado um dos principais problemas de nutrição no mundo. Essa deficiência está associada à perda de visão em crianças. A cientista de alimentos Maria Cristina Dias Paes, da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG), Unidade responsável pelo desenvolvimento da cultivar, explica que o milho biofortificado – a cultivar será identificada pela sigla BRS 4104 – apresenta concentração de carotenoides percursores da vitamina A na faixa de 6 a 8 microgramas por grama de grãos. O milho comum apresenta entre 2,5 e 4 microgramas. Em áreas experimentais na Embrapa Milho e Sorgo, o milho pró-vitamina A vem produzindo bem. De coloração amarela intensa, a cultivar foi desenvolvida a partir de um trabalho de seleção onde os grãos que apresentaram maior quantidade de pró-vitamina A foram selecionados e utilizados no processo de melhoramento. “Esse milho apresenta ciclo precoce e estamos muito otimistas com suas características agronômicas”, destaca Paulo Evaristo Guimarães, pesquisador da área de melhoramento. A cultivar será lançada durante a 6ª SIT (Semana de Integração Tecnológica) e é resultado das ações do projeto BioFORT, nome que vem de biofortificação de alimentos, que trabalha o melhoramento genético convencional de culturas agrícolas que compõem a dieta básica da população brasileira e de outros países onde problemas nutricionais ainda são prevalentes. No Brasil, pesquisadores da Embrapa já conseguiram cultivares de mandioca e de batata-doce com altos teores de vitamina A e arroz, feijão e feijão-caupi mais ricos em ferro e zinco. O milho biofortificado com pró-vitamina A é específico para programas sociais, como os de merenda escolar. O trabalho de transferência de tecnologia vem sendo feito pela Embrapa por meio da multiplicação de sementes biofortificadas pelas comunidades parceiras, cujos alimentos resultantes são utilizados em programas sociais, como o uso na merenda escolar e na dieta dessa população. Entre os impactos esperados estão o combate à desnutrição e à carência de nutrientes essenciais ao ser humano. Com a transferência dessa tecnologia, comunidades poderão ser beneficiadas com o consumo de alimentos mais nutritivos. SERVIÇO Lançamento da cultivar de milho BRS 4104, enriquecida em pró-vitamina A LOCAL: Embrapa Milho e Sorgo (Rodovia MG 424, km 45, Sete Lagoas-MG) EVENTO: 6ª SIT (Semana de Integração Tecnológica). Informações em http://sit.cnpms.embrapa.br/ . DATA: 20 de maio de 2013 (segunda-feira) HORÁRIO: 11h30 às 13h, sendo: 11h30 às 12h: Palestra sobre alimentos biofortificados: inovação na agricultura para a nutrição Auditório Renato de Oliveira Coimbra 12h às 13h: Visita à Vitrine de Tecnologias e lançamento da cultivar BRS 4104

terça-feira, 14 de maio de 2013

Renegociação de dívidas é pauta em Maragogipe

Um mutirão reuniu agricultores, pescadores e marisqueiras numa ação realizada pela Seagri em parceira com bancos e prefeitura. Maragogipe/BA- Voltar a ter acesso ao crédito. Esta é foi a oportunidade a que o governo da Bahia, através da Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri), em parceria com as instituições financeiras Banco do Nordeste (BNB) e Banco do Brasil (BB), e prefeitura municipal de Maragogipe, proporcionou ao agricultor que contraiu crédito junto ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), de renegociar suas dívidas, no mutirão realizado, nesta sexta-feira, (10), em Maragogipe. O mutirão que foi realizado na Casa de Cultura do município atendeu a centenas de agricultores ávidos em se informar sobre como acessar novas linhas de crédito, e o mais importante, pagar o que deve, baseando-se nas regras de renegociação propostas pelo governo Federal, por meio de resoluções expedidas pelo Banco Central. Houve quem aproveitou a oportunidade para quitar o saldo devedor, com recursos do Defeso e vislumbrou a chance de contrair novo crédito. Caso das marisqueiras, Antônia Ribeiro de Souza, Anaci da Conceição, Aldeci da Conceição e do pescador, João Carlos Bispo dos Santos, que tomaram empréstimo com o Banco do Nordeste há 11 anos e querem regularizar a situação. Dona Nilzete da Silva, pescadora desde a infância, confessa que não vive sem acordar, ainda de madrugada, para enfrentar o alto mar. Ela foi ao mutirão por causa da necessidade de comprar um barco para aumentar a renda e precisa de novo empréstimo para adquiri-lo. “Hoje, não teria condições para comprar o barco dos meus sonhos, toda minha família é pescadora e vivemos desta atividade herdada de nossos pais”, declara. Ela explica que tomou o primeiro empréstimo no BNB, de R$ 500, há uns anos, e pagou dois dias antes do vencimento, depois adquiriu outro de R$ 2.500, do Pronaf e já pagou a primeira parcela de R$ 940, e a outra prestação vence em 2014. “Hoje vim neste mutirão tentar ver se renegocio esta dívida e tomo outro crédito para a compra de meu barco, pois pesco em alto mar em São Roque, Salamina, e Maragogipe com rede artesanal, e trabalho com pescada, tainha, camarão e marisco”, completa. Para o secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, o alto índice de endividamento levantado pelos bancos tem ocasionado o travamento do crédito. Por isso, diz que é importante que os produtores aproveitem o momento para renegociar essas dívidas, que podem chegar a 85% de desconto, e adquirir novo crédito emergencial. Salles afirmou que promover o desenvolvimento sustentável das atividades da pesca e a cata de mariscos e agricultura familiar é prioridade para a Secretaria de Agricultura, que tem atuado com a Bahia Pesca na região, no sentido de melhorar a movimentação da economia destas atividades. “Estamos fazendo um grande mutirão com BNB e Banco do Brasil tentando reativar o crédito, com o objetivo de promover melhor condição e sustentabilidade à agricultura familiar, pescadores e marisqueiras da região, visto que, nossa intenção é trazer em Maragogipe, o ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella para lançar o Plano Safra da Pesca”, concluiu. A prefeita da cidade, Vera Lúcia Maria dos Santos, considerou o mutirão uma oportunidade para os agricultores, marisqueiras e pescadores renegociarem suas dívidas e terem acesso novamente ao crédito, e comemorou a chegada das chuvas dos últimos dias em Maragogipe, motivo da solicitação do cancelamento ao pedido de estado de emergência, em vigência da seca ao Governo Federal. Renegociação Segundo informações do Banco do Brasil foram realizadas composição de dívidas e renegociação de operações de crédito rural, no âmbito do Pronaf, amparadas pelas resoluções CMN 4.028, alterada pela 4.162; 4.029, alterada pela 4.140, além das resoluções 4.030 e 4.031. Para as resoluções 4.211 e 4.212, de 18/04/2013, o BB não dispõe até o momento de procedimentos operacionais para efetuar a renegociação, afirmou a instituição. O Banco do Nordeste afirmou que mais de 100 pessoas assinaram termo de adesão que afirma a intenção em renegociar a dívida, e que se enquadram nas resoluções 4.118, 4.211 e nas leis de renegociação 12.249 e 12.716 que atendem a disponibilização de crédito emergencial aos produtores que foram prejudicados com o longo período de seca. O BNB informou ainda, que conta com mais R$ 350 milhões para crédito emergencial no âmbito da linha FNE-Estiagem, com juros de 1% ao ano. Desse montante, R$ 200 milhões serão direcionados aos beneficiários do Pronaf e R$ 150 milhões a produtores rurais não pronafianos. Já foram desembolsados pelo BNB cerca de R$ 2,4 bilhões por meio do FNE Estiagem, desde julho do ano passado, com mais de 337 mil operações de crédito. Na Bahia, o montante alcança R$ 525 milhões, com um total de 77,6 mil contratos firmados. Ações para pesca e aquicultura O presidente da Bahia Pesca, Cassio Peixoto falou da ação articulada com a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), vinculada à Seagri, que está promovendo a inclusão de famílias de pequenos pescadores e marisqueiras no Programa Vida Melhor, através do sistema de informação, denominado CadCidadão, que visa agregar e divulgar pesquisas referentes à condição socioeconômica dos 417 municípios da Bahia. Em discurso, disse que um dos objetivos da Bahia Pesca é conhecer de perto pescadores e marisqueiras do estado e trabalhar projetos que incentivem a sustentabilidade destas atividades. Citou a experiência em renovar a frota de barcos por meio do “Programa Renovar”, que prevê a construção de 600 embarcações e atender uma média de 1.800 pescadores e marisqueiras. Silvia Cerqueira, superintendente federal da Pesca e Aquicultura no estado da Bahia, lembrou na ocasião da importância em tratar pescadores e marisqueiras com dignidade, renovando o acesso ao crédito e incentivando a produção de pescados e mariscos. Homenageou as mães marisqueiras em passagem do dia das mães, comemorado neste domingo (12), e defendeu o quanto estas atividades movimentam a economia baiana, enfatizando que esta classe não precisa de esmola, porque herdou o ofício da pesca de seus antepassados, que se orgulham da profissão. Ela reverberou a vontade do Ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella em lançar o Plano Safra da Pesca em Maragogipe e disponibilizar assim, uma linha de crédito para a mulher que vive da lida no mar, da ordem de R$ 2.500, mas que para isso era preciso que pescadores e marisqueiras estejam em dia com a Declaração de Aptidão ao Pronaf. Estiveram presentes ao mutirão, a prefeita Vera Lúcia Maria dos Santos, o vice-prefeito Ademar Luiz Novaes, Federação dos pescadores, superintendente federal de Pesca e Aquicultura da Bahia, Sílvia Cerqueira, Colônia de Pescadores e marisqueiras de Maragogipe e região, representantes do BNB e do BB, Cássio Peixoto, diretor executivo da Bahia Pesca, e parlamentares da região.

FNE apresenta eficiência na geração de empregos

Salvador (BA), 13 de maio de 2013 - O Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), órgão vinculado ao BNB, concluiu a avaliação de eficiência das empresas financiadas pelo FNE, em relação à geração de emprego no período 2000 – 2008, em parceria com a Associação Cearense de Estudos e Pesquisas (ACEP). O estudo apresenta resultados da eficiência microeconômica das empresas, segundo setor de atuação, região climática entre outros critérios. Considerando-se as aplicações totais do FNE, o indicador de eficiência global foi positivo, indicando que a quantidade de empregos efetivamente criados foi superior à expectativa de geração de empregos em 18,3%. A análise por região climática demonstrou que a criação efetiva de empregos no semiárido foi superior à expectativa em 67,6%, enquanto fora do semiárido foi de 7,2%. Na avaliação por segmento econômico, o melhor resultado foi identificado no setor de serviços, seguido do setor comercial e do industrial. Quanto às regiões definidas pela Política Nacional de Desenvolvimento Regional, a tipologia Estagnada apresentou o melhor nível de eficiência, seguida da Alta-Renda, Baixa-Renda e Dinâmica. “Diante destes resultados, pode-se dizer que as empresas que receberam recursos do FNE foram eficientes na geração de empregos. Além disso, percebe-se que houve o correto direcionamento dos recursos para as regiões menos favorecidas, tendo em vista que as regiões com maior índice de eficiência foram a Semiárida e Estagnada”, afirma o superintendente do Etene, Fran Bezerra.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Câmara Setorial do sisal avança na elaboração do Plano Estadual do Sisal e Seagri poderá lançá-lo em breve

A Câmara Setorial de Fibras Naturais prepara Plano Estadual de Desenvolvimento e define ações emergenciais quanto à organização da cadeia produtiva do Sisal em reunião realizada nesta terça-feira (31), na Federação das Indústrias do Estado da Bahia. Na oportunidade, a Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri), Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia e Inovação (Secti) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentaram as ações que planejam executar em curto, médio e longo prazo. O secretário de Agricultura, Eduardo Salles, engenheiro agrônomo e presidente da Câmara, apresentou projetos da Seagri, executados pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), relacionados à disponibilização de assistência técnica e difusão de tecnologia que proporcionará desenvolvimento sustentável à região sisaleira do Estado. Entre as medidas de médio prazo propostas há um projeto piloto que visa o aumento de produtividade, o aproveitamento total do sisal e a agroindustrialização, que consiste na implantação de cinco polos de produção, em áreas dentro da região do sisal selecionadas pela EBDA, de acordo com critérios técnicos, dentre eles a concentração da produção. Durante a reunião, Salles defendeu a elaboração de um censo, onde seja possível identificar com precisão a quantidade de produtores, regiões e área plantada de sisal para que se tenha noção de como os governos estadual e federal podem atuar através da Câmara Setorial a médio e longo prazo. O secretário ressaltou a importância da criação de um Plano Estadual de Desenvolvimento para a Câmara Setorial das Fibras Naturais, onde se inserem as cadeias produtivas do sisal, piaçava e do coco, para legitimar as ações que objetivam organizar as cadeias produtivas vencendo seus gargalos, como já acontece com Câmara Setorial da Seringueira. A Secti também apresentou suas ações a médio e longo prazo informando o investimento de R$ 13,5 milhões em projetos de pesquisa encomendados a instituições de ensino que trabalham com pesquisa e desenvolvimento (P&D), como a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Unicamp e UNESP. As pesquisas visam à elaboração de projetos que servirão de base para a construção da biofábrica de sisal, criação de viveiros de aclimatação das mudas, pesquisa sobre mucilagem da planta para ração animal e projeto de gestão da produção de mudas, que devem ser entregues aos produtores. Todos eles receberão treinamento e capacitação para lidar com as novas tecnologias aplicadas às variedades geneticamente melhoradas e livres de doenças. Há ainda, conforme explica José Roberto Lima, assessor da Secti e gestor do projeto sisal, pesquisa sendo desenvolvida com o suco do sisal, resíduo que vai propiciar o desenvolvimento de produtos como bioinseticida, útil no combate a pragas em cítricos, no combate à Candidíase, fungo que ataca a mulher, produção de shampoo, anticancerígeno, anticicatrizante e desinfetante. Lima relata que um convênio firmado entre a Secti e o Senai/Cimatec garantirá a construção de uma máquina desfibrilizadora de sisal. A previsão é de que fique pronta nos próximos oito meses. A superintendente da Conab na Bahia e Sergipe, Rose Pondé, mostrou alternativas para o escoamento da produção e da provável realização de leilões de 4 mil toneladas de sisal estocadas em armazéns da Companhia, onde a previsão é disponibilizar a compra de 100 toneladas por empresa. Ela afirmou que o propósito da Conab é fazer com que o produtor seja beneficiado com a Política de Garantia de Preços Mínimos denominados Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor), Pep (Prêmio para Escoamento de Produto), e AGF (Aquisição do Governo Federal), e considera estes instrumentos agentes condicionadores que garantem que o produtor receba pelo preço justo praticado no mercado. A cotação do sisal perfaz a casa de R$1,24 Kg, de acordo com a Conab. De acordo com Wilson Andrade, secretário executivo da Câmara Setorial de Fibras Naturais, e o presidente da Associação dos produtores de sisal do estado da Bahia, Misael Ferreira, a região sisaleira está sendo duramente atingida pela seca prolongada. Buscar alternativas que possibilitem a melhoria de vida no campo promovendo ações que mudem o cenário atual é a forma de reanimar o produtor e resgatar os tempos áureos do sisal, planta símbolo de adaptação e resistência à seca, declaram. O sisal é utilizado pela indústria para confecção de revestimentos de automóveis, aeronaves, tapeçaria, indústria de cosméticos e medicinais, entre outros. Na Bahia, segundo dados da Subcâmara do sisal, há uma área plantada de 150 mil hectares da fibra, se produziu uma média de 50 mil/t e já se exportou aproximadamente 72 mil/t, resultados da produção de mais de 40 municípios baianos. Programa de incentivo à produção do Sisal O Programa de incentivo a produção de Sisal na Bahia prevê benefício direto a cerca de 100 famílias de agricultores familiares, implantação e acompanhamento a 100 unidades de comparação entre o Híbrido e Agave sisalana; e, sobretudo, o aumento da produtividade do sisal para 2.500 Kg/ha de fibra seca, para o A. sisalana e 4000 kg/ha para o híbrido, visto que, a intenção é implantar 500 hectares de sisal, sendo 250 hectares da variedade sisalana e 250 hectares do sisal híbrido. De acordo com o secretário, o objetivo é promover ações para o desenvolvimento da cadeia produtiva do sisal, criando condições para o aumento da renda e melhorando as condições de vida dos produtores, além de recuperar a cultura do sisal nas regiões a serem atendidas pelo Programa, que prevê ainda, motivar o plantio de novas áreas, difundir o cultivo do sisal hibrido 11.648, bem como técnicas de cultivo da cultura; e implementar inovações tecnológicas que permitam o controle da praga podridão vermelha do sisal. Outro fator importante na visão de Evandro Oliveira, engenheiro agrônomo da EBDA, é que o programa possibilitará o treinamento prático de produtores nas áreas implantadas nos quatro municípios selecionados Conceição do Coité, Valente, Campo Formoso, e Mirangaba. Segundo ele, as áreas terão o acompanhamento técnico da implantação até os 60 meses de idade. É válido salientar que as mudas da A.sisalana serão adquiridas nos municípios de Ibititá, Itaguaçu da Bahia, Carfanaum e Mulungu do Morro, região de baixa prevalência e baixa incidência da podridão vermelha do sisal, evitando assim o plantio de mudas contaminadas pela praga. E As mudas do sisal híbrido serão adquiridas nos municípios de Santaluz e Itíuba. Ascom Seagri, 01 de maio Jornalista: Valéria Esteves DRT/MG 1139 71-31152794 31152737

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Xbox 720 pode custar entre R$ 600 a R$ 1.000, segundo analista da Microsoft

O Xbox 720 deve ser lançado em novembro deste ano e deve vir com duas versões com faixas de preço distintas. Quem afirma é Paul Thurrot, analista da Microsoft, que explica que o console terá versões custando US$ 299 e US$ 499 (cerca de R$ 600 e R$ 1.000, respectivamente, em conversão direta), sendo que a primeira virá com uma assinatura periódica obrigatória. Thurrot vazou recentemente o evento de anúncio oficial do console, que acontecerá no próximo dia 21 de maio. A assinatura da versão de US$ 299 seriam dois anos obrigatórios de Xbox Live Gold, que custa em torno de US$ 10 por mês (aproximadamente R$ 20). Esta assinatura, na verdade, torna o console ligeiramente mais caro que a versão de US$ 499, mas o custo de compra inicial para o jogador é mais acessível. O analista afirma que o Xbox 720 chegará às lojas dos Estados Unidos no início de novembro. O novo console terá como mídia o mesmo Blu-Ray do PS3 e PS4, seu sistema operacional será o Windows 8 e exigirá, sim, conexão permanente à internet. O evento do dia 21 de maio será o primeiro de vários outros eventos e anúncios com detalhes sobre o videogame, incluindo a apresentação da Microsoft na E3 deste ano, em junho. Antes do lançamento do seu sucessor, o Xbox 360 receberá uma nova versão, menor e mais barata, que atualmente possui o codinome ‘Stingray’. Fonte:G1

BANCO DO NORDESTE AMPLIA HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO PARA ATENDER AGRICULTORES ATINGIDOS PELA SECA

Atendimento especial ocorrerá em toda a rede de Agências
O Banco do Nordeste ampliará seu horário de atendimento ao público em duas horas diárias, com o objetivo de contratar propostas de crédito no âmbito do Programa FNE Estiagem e receber termos de adesão para renegociações de dívidas. A força-tarefa prevê a abertura de todas as agências do Banco duas horas antes do atendimento bancário convencional. A iniciativa terá início na próxima segunda-feira, 29, e se estenderá até o dia 10 de maio. Segundo a Diretoria do Banco, o intuito é agilizar o atendimento aos produtores rurais afetados pela seca, que poderão contratar financiamentos ou renegociar suas dívidas em condições especiais, de acordo com o enquadramento da operação de crédito. FNE – Estiagem Voltado para produtores rurais que tiveram perdas com a seca, o FNE – Estiagem tem juros de 1% a.a, com prazo de pagamento de 10 anos, com até três anos de carência. Os recursos são do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e serão empregados na recuperação de atividades nos municípios que tiveram situação de emergência ou calamidade pública decretada. O Banco do Nordeste já desembolsou R$ 2,3 bilhões por meio do FNE Estiagem, desde julho do ano passado, com mais de 320 mil operações de crédito. Na Bahia, o montante alcança R$ 465 milhões, com um total de 67 mil contratos firmados. Renegociação de dívidas rurais Por meio das resoluções 4.211 e 4.212, agricultores familiares poderão renegociar o saldo devedor em dez parcelas anuais, com o primeiro vencimento em 2016. Cada parcela paga até o vencimento terá bônus de adimplência de 80%, mesmo percentual de desconto aplicado em caso de liquidação da dívida. Os produtores rurais não classificados como agricultores familiares também poderão parcelar suas dívidas em dez vezes, com o primeiro vencimento programado para 2015. Outra possibilidade é a renegociação por meio das Leis 12.249 e Lei 12.716. As condições especiais de todas as resoluções e leis que favorecem os agricultores atingidos pela estiagem estão no arquivo anexo. Na Bahia já foram renegociadas, lastreadas nos dispositivos acima, cerca de 89 mil operações no valor de R$ 697 milhões.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Empresas baianas conquistam mercado internacional durante feira no Panamá

A estimativa é gerar mais de U$ 1,6 milhão em negócios durante a Expocomer, exposição internacional que acontece até 20 de abril “Pelos contatos feitos aqui no Panamá, empresas e entidades relataram uma grande demanda pelo nosso produto, que é a tecnologia capaz de automatizar armazéns, e querem fazer parceria”, revela o empresário Adolfino Alves, da Próton Sistemas, empresa de Feira de Santana. Como um dos 30 integrantes da missão baiana presente na Exposição Comercial Internacional do Panamá (Expocomer), considerada uma das mais importantes feiras de negócios internacionais do mundo, realizada entre os dias 17 e 20 de abril, Adolfino já se prepara para um próximo retorno ao país, interessado em estreitar a relação através de uma estratégia inicial de formar mão de obra no seu setor de atuação. Já nos dois primeiro dias de feira, as empresas baianas representantes dos setores de alimentos, construção civil e vestuário, estimam um volume de negócios próximo a U$ 1,6 milhão. “Os empresários foram preparados para negociar com compradores de diversas partes do mundo, aproveitando o Panamá enquanto uma plataforma logística para a distribuição de produtos”, concluiu a gestora do Programa de Negócios Internacionais do Sebrae Bahia, Cristiane Mota. Segundo ela, os números são estimados, já que uma negociação internacional requer um tempo maior para concluir os trâmites legais dos dois países. A participação de micro e pequenas empresas do estado está sendo viabilizada através de uma parceria entre o Sebrae Bahia e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). Aquelas que enviaram apenas seus produtos serão representadas por trades credenciadas à Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil). Além do showroom, estão agendadas palestras e Net Work Day, evento interno que possibilita a integração entre os empresários participantes da feira. 31ª Expocomer Com uma posição geográfica estratégica e o quarto mais eficiente centro logístico do mundo para o escoamento de produtos, o Panamá sedia a Expocomer, com a participação de 36 países. Na última edição, 534 empresas expositoras estiveram no encontro, 22 mil visitantes profissionais e alcançou cerca de US$ 122 milhões em negócios.

Seca: Agricultores terão dívidas prorrogadas por 10 anos

Conselho Monetário Nacional (CMN) oficializou, em resoluções divulgadas ontem (18), a prorrogação por dez anos das dívidas de agricultores afetados pela seca. A decisão vale para as parcelas vencendo em 2012, 2013 e 2014. O pagamento do valor refinanciado começa em 2015 para produtores em geral e em 2016 para agricultores familiares. O custo para o Tesouro será R$ 2,1 bilhões. A flexibilização anunciada é um desdobramento da MP da Seca, relatada pelo senador Walter Pinheiro (PT-BA). Segundo Pinheiro, o Congresso Nacional está prestes a analisar uma nova medida, a MP 610, destinada também para socorrer produtores rurais atingidos pela seca. “O objetivo é ampliar as renegociações e ofertar crédito para os produtores e agricultores, além de milho subsidiado para ração dos rebanhos de animais. Nossa luta é, inclusive, para que seja dado o perdão das dívidas dos pequenos agricultores que perderam a produção e estão sem condições de fazer um novo plantio”, adiantou Pinheiro. Na decisão anunciada pelo CMN, além do direito de renegociarem as parcelas referentes aos três anos, os agricultores familiares terão um desconto de 80% caso quitem em dia as prestações do refinanciamento. De acordo com João Rabelo, o alocamento do início da quitação para os anos de 2015 e 2016 visa a dar tempo aos produtores rurais para recomporem as perdas com a estiagem que prejudicou-os em 2012 e 2013. O CMN publicou ainda uma terceira resolução autorizando agricultores da Região Nordeste a renegociar dívidas contratadas até 2006, utilizando recursos do Fundo Constitucional do Nordeste (FNE) e do Fundo Constitucional do Norte (FNO). A taxa de juros do refinanciamento será 4,12% ao ano, mas pode cair para 3,5% graças a um bônus de adimplência de 15%. Além disso, foi retirada a obrigatoriedade de entrada para os financiamentos. A resolução concedeu ainda outro bônus de adimplência de 15% sobre a parcela, além do concedido sobre os juros.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Governo propõe salário mínimo de R$ 719,48 a partir de 2014

Governo propõe salário mínimo de R$ 719,48 a partir de 2014 Novo valor consta de proposta da LDO divulgada nesta segunda (15). Aumento do salário mínimo será em janeiro do ano que vem.
O salário mínimo vai subir dos atuais R$ 678 para R$ 719,48 a partir de 2014, segundo a proposta para a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) divulgada nesta segunda-feira (15) pelo Ministério do Planejamento. A proposta ainda vai passar pelo Congresso e, se for aprovada, o novo valor do mínimo passa a valer a partir de janeiro do ano que vem. Esse valor proposto para o salário mínimo em 2014, entretanto, pode ser alterado no futuro, com base nos parâmetros estabelecidos para sua correção (crescimento do PIB do ano de 2012 e da inflação, medida pelo INPC, deste ano). Além de 2014, a proposta também informa a previsão do salário mínimo para 2015 (R$ 778,17) e para 2016, quando deve atingir R$ 849,78. Na proposta da LDO, o governo também informou a previsão de que o IPCA, índice que mede a inflação oficial, terá variação de 4,5% em 2014. Para este ano, a previsão é de 5,2%. PIB e inflação O governo também apresentou a sua previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), de 3,5% para este ano e 4,5% em 2014. Na LDO do ano passado, o governo estimava um crescimento maior para a economia no ano que vem: 6%. O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse sobre a inflação que o governo tem tido "atenção constante" com a possibilidade de alta da inflação, como ocorreu no início deste ano. Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usada como base para as metas do governo, apresentou variação de 0,47% em março – taxa inferior à registrada no mês anterior, de 0,60%. No acumulado dos últimos 12 meses até março, porém, a taxa de inflação é de 6,59%, acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central, que é de 6,5% - dois pontos acima do centro da meta, que é de 4,5%. “[O controle da inflação] é um processo que exige atenção constante. O governo continua trabalhando para que ela possa convergir para a meta [de 4,5% em 2013]”, disse Augustin. Sobre a variação do PIB, ele afirmou que o governo está otimista e espera para o ano que vem um “processo de crescimento importante” da economia. “Eu entendo que a economia brasileira vem retomando o crescimento. A velocidade talvez seja um pouco abaixo do que gostaríamos, mas ela vem retomando o crescimento”, disse o secretário do Tesouro Nacional. Superávit Na proposta de LDO, o governo informa que sua meta de superávit primário em 2014 será de R$ 167,4 bilhões, o que equivale a 3,1% do PIB estimado para o ano que vem. O superávit primário é a economia feita pelo governo federal, estados e municípios para pagar juros da dívida pública e tentar manter sua trajetória de queda. Do total de R$ 167,4 bilhões, R$ 116,1 bilhões correspondem à parcela da União. Os outros R$ 51,2 bilhões, cabem a estados e municípios. Augustin informou, entretanto, que já a partir de 2013 a União não terá mais a obrigação legal de compensar o resultado de estados e municípios, caso a meta de superávit não seja cumprida por eles. Isso significa, portanto, que o governo se compromete a cumprir apenas a sua parte (R$ 116,1 bilhões, no caso da LDO de 2014) e que buracos deixados na conta de estados e municípios “podem” ser abatidos da meta total. Segundo Augustin, para que a desobrigação passe a valer já, o governo vai enviar um projeto ao Congresso para alterar a Lei Orçamentária de 2013. "Não estamos dizendo que a meta [não cumprida por estados e municípios] vai ser abatida [da meta total de superávit]. Estamos dizendo que a LDO permite que isso ocorra. Se vai ser feito ou não, isso vai ser definido ao longo de 2014", disse o secretário do Tesouro Nacional. Em 2012, estados e municípios tiveram um superávit de R$ 23,7 bilhões, equivalente a 55% de sua meta, que era de R$ 42,8 bilhões. Essa diferença de R$ 19,1 bilhões teve que ser compensada pela União. A proposta de LDO também fixa em R$ 67 bilhões o valor de abatimento da meta de superávit possível com os investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e com desonerações de tributos em 2014. Para este ano, o limite é de R$ 65 bilhões. Juros e câmbio O documento apresentado pelo Ministério do Planejamento nesta segunda também aponta estimativa de que a taxa básica de juros da economia (Selic) esteja em 7,5% em dezembro de 2014, mesmo patamar atual. Ainda de acordo com a proposta, a previsão é que a taxa permaneça a mesma ao final de 2015 e 2016. O governo divulgou ainda que espera uma taxa de câmbio média de R$ 2 por dólar ao final de 2013, e de R$ 2,04 no fim de 2014. Segundo a proposta da LDO, a desvalorização do real deve continuar nos anos seguintes, atingindo R$ 2,07 por dólar em 2015 e R$ 2,09 em 2016.

Bahia garante presença na Exposição Nacional do Mangalarga Marchador

O secretário estadual de Agricultura (Seagri), engenheiro agrônomo, Eduardo Salles, confirmou que a Bahia estará presente na Exposição Nacional do Mangalarga Marchador, em Belo Horizonte, de 17 a 28 de julho deste ano, no Parque de Exposições da Gameleira. A afirmação foi feita durante visita do secretário à Expobahia (Semana Baiana do Cavalo), nesta quinta-feira (11), no Parque de Exposições de Salvador, quando se reuniu com os diretores da Associação de Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador da Bahia (ACCMMB), com a presença do presidente da Associação Brasileira de cavalos Mangalarga Marchador (ABCCMM), Magdi Shaat. No ano passado, a Bahia foi destaque na Exposição Nacional, em Belo Horizonte, quando montou pela primeira vez um estande, em localização estratégica, de onde centenas de criadores baianos tiveram visão privilegiada da pista de julgamentos. Elogiado por todas as demais associações brasileiras, a estrutura baiana teve o objetivo de divulgar a potencialidade do Estado nos 11 dias de exposição. Durante a reunião de trabalho realizada nesta quinta-feira, Salles discutiu ainda, a realização do Campeonato Brasileiro de Marcha Batida (CBM) e o Marchador Fest, evento considerado a solenidade de entrega do Oscar aos melhores criadores do ano, a realizar-se durante a Fenagro 2013, pela primeira vez. Sobre o Marchador Fest, evento que já acontece na Exposição Nacional do Mangalarga, o secretário informou que a Seagri deve analisar a viabilidade técnica para trazê-lo para Bahia. Para o presidente da ACCMMB, Hermann Abbehusen, o CBM é um dos maiores eventos da raça, onde cerca de 700 animais de criadores do Brasil inteiro devem disputar o prêmio de campeão brasileiro de marcha. A expectativa, afirma Hermann, é gerar cerca de R$ 3 milhões em negócios e fomentar a atividade durante a Fenagro. Quanto ao Marchador Fest, ele explica que se trata de uma grande festa do Mangalarga Marchador para os melhores criadores e expositores, bem como oportunidade de homenagear criadores antigos. Magdi Shaat, presidente da ABCCMM, falou da possibilidade em trazer a Exposição Nacional de Mangalarga para Bahia, em 2014, defendeu a realização da CBM e do Marchador Fest, visto que, o Estado é destaque no cenário nacional, ocupando o terceiro lugar no ranking de melhores criadores de Mangalarga do Brasil. “A Bahia é o Estado que mais cresce em associados e em desenvolvimento da raça. Essa evolução vem se intensificando e os resultados são as premiações que os baianos têm alcançado na exposição nacional”, afirmou. O secretario disse ao presidente Magdi que seria a realização de um grande sonho para os criadores baianos, a realização da exposição nacional em 2014, na Bahia, solicitação feita pelo governo do estado à ABCCMM. Exemplo de superação Depois de visitar a exposição e acompanhar o julgamento dos cavalos, Salles elogiou a organização da Expobahia, onde a pecuária mostra sua pujança, destacando que é um contraponto ao cenário apresentado pela agropecuária baiana, que atravessa um dos momentos mais difíceis com a seca prolongada. “A Expobahia é um exemplo da superação do pecuarista baiano, que mesmo com a dificuldade e a dimensão desta seca avassaladora, realiza um evento com estas proporções aqui na Bahia. Parabenizo os organizadores do evento por reunir criadores dos estados do Nordeste e do Brasil, mesmo com todas as dificuldades”. Salles percorreu o parque de exposições de Salvador em companhia de Magdi Shaat, presidente da ABCCMM, e da diretoria da ACCMMB, presidente Hermann Burgos Abbehusen, do vice-presidente, Paulo Magalhães Novoa, do tesoureiro, Mateus Braga, e do ex-presidente da ACCMMB, Maurício Odebrecht. Universo dos eqüinos A Expobahia, que a partir deste ano passa a ser chamada de Expobahia - Semana Baiana do Cavalo, é organizada pelo conjunto das associações de criadores de animais do Estado. O evento, iniciado no dia 9, vai até domingo (14). Representada pela Associação dos Criadores do Cavalo Mangalarga Machador da Bahia, a feira está expondo mais de 2,8 mil animais, entre eqüinos, com mil exemplares, bovinos (300), caprinos e ovinos (1,5 mil), além de pequenos animais. O destaque é a Exposição Brasileira de Cavalo Mangalarga, mas a programação incluiu provas desportivas e atividades destinadas a profissionais, amadores ou simples curiosos do mundo dos eqüinos. “A exposição brasileira é uma oportunidade que os criadores de Mangalarga têm de divulgar o seu plantel para todo País. É um evento com premiação de âmbito nacional, no qual serão julgados e avaliados cavalos de diversos estados”, explica o diretor da Associação Baiana de Criadores de Margalarga (ABCM), Antônio José Seabra. Em sua 13ª edição, a Expobahia pretende movimentar, aproximadamente, R$ 20 milhões em negócios, sendo R$ 8 milhões em vendas diretas de animais. Durante a feira, acontecerão seis leilões, envolvendo bois Nelore (única raça bovina presente este ano, por conta da seca que assola o Nordeste), cavalos Quarto de Milha, Mangalarga e Mangalarga Marchador, além de caprinos e ovinos.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Assentamento em Pojuca é exemplo de sucesso do crédito fundiário

(Pojuca - BA) – De trabalhadores da Fazenda Alvorada a donos da propriedade. Essa é a nova realidade de dezenas de famílias que organizaram a Associação Hortícola Riacho das Moças e, através do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF), compraram a fazenda com 4% de juros ao ano, três anos de carência e 17 anos para pagar, com direito ainda a 40% de desconto nas prestações pagas em dia. A associação já antecipou o pagamento de duas parcelas. Além disso, coletivamente, as 15 famílias tiveram acesso a R$ 425 mil, não reembolsáveis, para investimentos em infraestrutura produtiva. Localizado no povoado de Guerreiro, em Pojuca, no Território de Identidade Agreste de Alagoinhas/litoral Norte, a associação de agricultores familiares, com diretoria formada quase que exclusivamente por mulheres (só um homem faz parte), desenvolve a horticultura em sete hectares, área que será estendida para 15 hectares. “Nossa produção é totalmente orgânica”, diz a presidente Maria José Santana, pedindo par ser chamada de Zeu, como é conhecida. Ela explicou que “vamos diversificar a produção, abrindo uma área de fruticultura, com ênfase nas culturas de banana e dos citros. A venda dos produtos é coletiva, mas a produção é individual. Cada família tem sua casa e área de cultivo. “Essa é uma experiência maravilhosa. Pessoas que trabalhavam na fazenda e tinham o desejo de ter a própria terra para cultivar, agora estão felizes realizando o sonho”, comentou o secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, ao visitar o assentamento, acompanhado pelo coordenador de Desenvolvimento Agrário da Seagri (CDA), Luís Anselmo Pereira de Souza; pelo coordenador de Desenvolvimento Agrário da CDA, Nilo Ramos: e por Jeandro Ribeiro, diretor de Agregação de Valor da Superintendência de Agricultura Familiar da Seagri (Suaf). Ele disse ainda “esse é um exemplo de sucesso que deve ser seguindo em toda Bahia”. Um dos produtos do assentamento e comercializados nas feiras do município é a pimenta biquinho, cheirosa e gostosa, mas sem ardor, apresentadas em frascos com a marca “Sabor das Moças”. Essa produção artesanal será profissionalizada, conforme disse o secretário, autorizando a Suaf a implantar uma pequena agroindústria e buscar assessoramento do Sebrae para desenvolver a rotulagem e capacitação dos agricultores. Além de apoiar a industrialização da produção, a Seagri vai também viabilizar a certificação de produtos orgânicos, visando a agregação de valor dos produtos que atualmente não recebem mais por isso. Programa facilita aquisição da terra De acordo com Luís Anselmo Pereira, coordenador da CDA, o Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF), é um importante mecanismo para o avanço da agricultura familiar na Bahia. Trata-se, disse ele, de um programa do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), destinado aos trabalhadores rurais sem terra ou com pouca terra, organizados através de associações comunitárias, ou também a agricultores que decidem comprar um imóvel individualmente. “As famílias que participam do programa passam a ser assistidas pela Unidade Técnica Estadual da CDA e também com a rede de apoio formada por diversos parceiros prestadores de Assistência Técnica e Extensão Rural”, disse. O coordenador de Desenvolvimento Agrário da CDA, Nilo Ramos, disse que atualmente a coordenação está analisando 312 processos, envolvendo 9,5 mil famílias. “O PNCF é uma excelente ferramenta complementar de reforma agrária, através da compra dos imóveis rurais”, afirmou. Além de viabilizar a compra da terra, o financiamento contempla, com recursos não reembolsáveis, a construção da moradia, investimentos em infraestrutura, como energia, compra de trator e regularização ambiental, necessários para a produção familiar. O Programa apóia-se nos princípios da participação, controle social, transparência e descentralização. texto e fotos: Josalto Alves

Crediamigo supera R$ 2 bilhões aplicados no Estado da Bahia

Maior programa de microfinaças da América Latina alcança marca histórica com 372,3 mil empreendedores atendidos na Bahia
No mês de fevereiro de 2013 o programa Crediamigo atingiu a marca de R$ 2,077 bilhões aplicados no Estado da Bahia, um marco histórico. Foram 1,6 milhão de operações de empréstimo, beneficiando 372.397 empreendedores desde a implantação do programa na Bahia, em 1998. Por outro lado, a média de inadimplência nos últimos três anos girou em torno de 0,8%. Os resultados foram realizados pelas Gerências Regionais de Salvador e de Vitória da Conquista. “Trata-se de um resultado representativo da importância da Bahia no contexto do programa como um todo, e de uma nova etapa na atuação do Crediamigo no Estado”, definiu o gerente regional de Microfinanças do Banco do Nordeste em Salvador, Joaci Sabino Silva. “Estamos trabalhando fortemente para atingir os próximos R$ 2 bilhões em um menor espaço de tempo, sem perder a qualidade que caracteriza o Crediamigo”, completou. Resultados em 2013 Nos dois primeiros meses do ano, foram realizadas cerca de 56 mil operações, num montante de R$ 90,66 milhões aplicados. Atualmente o programa possui 171,4 mil clientes ativos com operações no valor médio de R$ 1.113,95. “Temos cumprido os objetivos do Governo Federal quando do lançamento do Programa Crescer, o qual teve como principal referência o próprio Crediamigo, na pulverização do crédito e no alcance aos empreendedores, formalizados ou não. Nossa parceria com o Governo do Estado da Bahia e com as prefeituras municipais nos tem permitido atingir estes números significativos e projetar um crescimento sustentável nos próximos anos”, conclui Joaci. Crediamigo O Crediamigo é o Programa de Microcrédito Produtivo Orientado do Banco do Nordeste que facilita o acesso ao crédito a milhares de empreendedores pertencentes aos setores informal ou formal da economia (microempresas, enquadradas como Microempreendedor Individual, Empresário Individual, Autônomo ou Sociedade Empresária). O Crediamigo faz parte do Crescer - Progama Nacional de Microcrédito do Governo Federal - uma das estratégias do Plano Brasil Sem Miséria para estimular a inclusão produtiva da população extremamente pobre. O Programa atua de maneira rápida e sem burocracia na concessão de créditos em grupo solidário ou individual. Grupo solidário consiste na união voluntária e espontânea de pessoas interessadas em obter o crédito, assumindo a responsabilidade conjunta no pagamento das prestações. A metodologia do aval solidário consolidou o Crediamigo como o maior programa de microcrédito do país, possibilitando o acesso ao crédito a empreendedores que não tinham acesso ao sistema financeiro. Associado ao crédito, o Crediamigo oferece aos empreendedores acompanhamento e orientação para melhor aplicação do recurso, a fim de integrá-los de maneira competitiva ao mercado. Além disso, o Programa de Microcrédito do Banco do Nordeste abre conta corrente para seus clientes, sem cobrar taxa de abertura e manutenção de conta, com o objetivo de facilitar o recebimento e movimentação do crédito.

terça-feira, 19 de março de 2013

Curso capacita pescadores baianos para produção de tilápia

A partir do dia 28 de março, centenas de pescadores baianos serão capacitados na produção e comercialização de tilápias. A ação faz parte do I Qualitilápia, evento realizado pela Bahia Pesca, empresa vinculada à Secretaria da Agricultura (Seagri), que passará a pequenos aquicultores da Bahia, informações sobre manejo, estratégias comerciais e controle de qualidade do peixe. O objetivo do evento é potencializar a oferta e a comercialização da tilápia em locais estratégicos, incrementando e incentivando o consumo do produto em todo estado. O evento pretende ainda promover uma aproximação entre o setor produtivo e o setor comercial, através de momentos e encontros gourmet com empresários. “Desta forma, o pescador poderá conhecer quais são as expectativas e exigências de quem compra, ajustando sua estratégia de comercialização e incrementando sua renda”, afirma o presidente da Bahia Pesca, Cássio Peixoto. “Por outro lado, o dono de restaurante terá mais segurança para colocar o produto nos seus cardápios. É um ciclo virtuoso”, complementa o gestor. A estimativa da empresa é de atender a um mínimo de 120 pescadores em toda a Bahia nesta primeira edição do Qualitilápia. Durante o evento serão realizados workshops e seminários para cooperativas e associações de pescadores, com produtores e potenciais compradores de tilápias. “A escolha da tilápia não acontece por acaso. A Bahia é o quarto maior produtor da espécie no Brasil”, explica a subgerente de pesca da Bahia Pesca, Eliana Carla Ramos, acrescentando que durante os encontros haverá ainda miniexposições de artesanatos feitos com materiais retirados da tilápia. Os primeiros cursos serão realizados durante o Festival Aleluia, em Ilhéus, a partir de 27 de março. Até Junho cinco cidades receberão o Qualitilápia: Salvador, Paulo Afonso, Prado, Luiz Eduardo Magalhães e Cairu.

terça-feira, 5 de março de 2013

Plano Estadual da Borracha dá sustentabilidade a diversas regiões da Bahia

Plano Estadual da Borracha dá sustentabilidade a diversas regiões da Bahia
Sair da produção de 17,2 toneladas/ano para 146 mil toneladas; de 32.314 hectares plantados para mais 100 mil hectares com variedades melhoradas de seringueira nos próximos 20 anos; ampliar de 6,5 mil empregos para 34 mil, aumentar a produtividade de 800 kg/hectare para 1.460 kg/hectare, eliminar a importação de borracha seca, que hoje representa 70% do consumo interno; aumentar a renda oriunda da produção dos atuais R$ 102 milhões/ano, para R$ 865 milhões/ano; ampliar a arrecadação de ICMS de R$ 18 milhões /ano, para R$ 163 milhões/ano, e chegar ao ano 2040 com a Bahia autossuficiente na produção de borracha natural. Esses são os principais objetivos do Programa de Desenvolvimento do Setor da Borracha Natural do Estado da Bahia (Prodebon), lançado na manhã desta segunda-feira (9), no santuário da Primeira Igreja Batista de Valença. “Este é o primeiro plano estadual estratégico que estamos lançando” disse o secretário da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Reforma Agrária Pesca e Aqüicultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, lembrando que “para organizar e estruturar a agropecuária do Estado criamos 22 câmaras setoriais de cadeias produtivas consideradas estratégicas, que receberam a missão de elaborar planos estratégicos para os próximos 20 anos”. Ainda nesse semestre, o governo do Estado, através da Seagri, vai lançar o Plano Estadual do Leite, e mais cinco planos de outras cadeias até o final do ano. “Este não é um plano de governo. Foi elaborado pela Câmara Setorial da Borracha Natural, e cabe ao governo fazer a sua parte, garantindo assistência técnica e todo apoio necessário à efetivação do programa”, disse Salles, aplaudido por mais de mil agricultores que lotaram o santuário da igreja. Também participaram do evento oito prefeitos da região, 18 secretários de Agricultura, dezenas de vereadores e presidentes de associações, cooperativas e de sindicatos. Durante a solenidade, o secretário Eduardo Salles assinou ordem de serviço autorizando a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) a realizar licitação para compra de 80 mil mudas de seringueira, as primeiras que serão entregues a agricultores familiares. Na seqüência, foram entregues, simbolicamente, algumas mudas a agricultores. A Bahia é o segundo maior produtor nacional de borracha natural do Brasil, atrás apenas de São Paulo, mas sua produção responde hoje por apenas 30% do consumo interno. “Essa é uma realidade que começamos a mudar com o lançamento do Prodebon”, afirmou Ivo Cabral secretário executivo da Câmara Setorial da Borracha Natural, acrescentando que “a Bahia está dando um salto qualitativo e quantitativo”. Cooperação A solenidade de lançamento do programa foi marcada pelo compromisso de cooperação assumido pelo governo do Estado, através da Seagri/EBDA/Adab/CDA; Secretaria de Ciência e Tecnologia (Secti); Sedir/Car; MDA; Mapa/Conab; BNB; BB; Ceplac; Faeb; Senar-Ba; Sebrae-BA; Organização de Conservação da Terra (OCT); Instituto Biofábrica de Cacau; Fetraf-Ba; Fetag-Ba; Sema/Inema, além das indústrias de pneus. O secretário Eduardo Salles explicou que parte da implantação proposta, cerca de 75% dos 100 mil hectares de seringueira, será feita no Sistema Agro Florestal (SAF), consorciado com o cacau e a banana, dando sustentabilidade ao produtor. Outra parte, 25%, será em substituição de eritrina por seringueira em plantios de cacau. O Prodebon vai atender a 18.133 produtores, em sua maioria da agricultura familiar. Os pequenos produtores alvo do programa estão distribuídos nos Territórios de Identidade Agreste Alagoinhas/Litoral Norte, Baixo Sul, Extremo Sul, Litoral Sul, Médio Rio das Contas, Recôncavo e Vale do Jiquiriçá, compreendendo a superfície de 95 mil Km2. Autossuficiência Henrique Almeida, presidente do Instituto Biofábrica de Cacau destacou que “esse programa, além de colocar a Bahia no caminho da autossuficiência da borracha natural, representa grande avanço também para a cultura do cacau que, consorciada com a seringueira, vai dar sustentabilidade e rentabilidade à cacauicultura, garantindo melhor renda para os cacauicultores”. Para Geraldo Machado, superintendente do Senar na Bahia, “a grande característica do Prodebon é que se trata de um programa que nasce fadado ao sucesso, pois tem mercado concreto, uma vez que a Bahia abriga indústrias produtoras de pneus”. Ele acrescenta que o programa articula ações que eram feitas de forma pulverizada, destacando a capacitação de pessoal. Como exemplo ele citou o fato de que os alunos de cursos patrocinados pelo Senar já estão sendo direcionados ao Sistema Agro Florestal (SAF), que é uma marca registrada do Prodebon. Para a prefeita de Valença, Jucélia Nascimento, esta é uma grande oportunidade da região ter novo oxigênio para alavancar o setor da borracha, reprimido ao longo dos anos. O diretor executivo da Companhia de Ações Regionais (Car) Vivaldo Mendonça, afirmou que “hoje é um dia histórico para a cadeia produtiva da borracha, com o lançamento de um programa que cria uma agenda executiva que, com toda certeza, será cumprida”. Ele disse ainda que “vamos trabalhar para inserir esta iniciativa no programa Brasil Sem Miséria, abrindo espaço para o artesanato de borracha. “Isso que estamos fazendo hoje é inovação e tecnologia”, disse o secretário de Ciência e Tecnologia, Paulo Câmara, garantindo que “o Prodebon nos dá as garantias de que as ações propostas serão executadas”. Tanto o superintendente regional do BNB, Jorge Bagdeve, quanto o superintendente regional do BB, Romeu Schiavon, destacaram a sinergia e o trabalho integrado, e asseguraram o apoio financeiro das instituições, com o acesso ao crédito sem burocracia. Fonte: Ascom Seagri

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Um terço do café consumido no mundo é produzido no Brasil

Pesquisa agrícola, setores produtivo e exportador têm garantido essa performance
O agronegócio café é uma das atividades que tem se destacado historicamente na balança comercial brasileira com expressiva geração de divisas. Daí a importância do esforço conjugado da pesquisa agrícola, cadeia produtiva e setor exportador para que o País mantenha participação crescente no mercado de café mundial. Em 2012, a produção de café no mundo, segundo a Organização Internacional do Café - OIC, foi cerca de 144,5 milhões de sacas de 60 kg. Desse total, o Brasil produziu mais de 50,8 milhões, seguido pelo Vietnã (22 milhões), Indonésia (10,9 milhões), Colômbia (8 milhões) e ainda Etiópia, Honduras, Índia, México e outros países. Pode-se dizer que de cada três xícaras de café consumidas no mundo, uma é de origem brasileira. Em outras palavras, a produção de café no Brasil é responsável por cerca de um terço da mundial, o que faz do Brasil o maior produtor e exportador. O País é também o segundo maior consumidor, após os EUA. Grande parte desse desempenho produtivo pode ser atribuída aos esforços de dezenas de instituições de pesquisa, ensino e extensão reunidas no Consórcio Pesquisa Café - cujas pesquisas são coordenadas pela Embrapa Café. Desde sua criação, há quase 16 anos, o Consórcio tem mudado positivamente o cenário da cafeicultura nacional. Em 1997, quando foi criado o Consórcio, o Brasil possuía 2,3 milhões de hectares de área cultivada com uma produtividade de 12 sacas/hectare e produção de 27, 5 milhões de sacas. Em 2012, com praticamente a mesma área, o País saltou para 24 sacas/ha e a produção de 50,8 milhões de sacas, segundo dados oficiais da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab. As exportações brasileiras de café, em 2012, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil - Cecafé, geraram receita de US$ 6,4 bilhões, embora menor que a do ano anterior, que registrou recorde de US$ 8,7 bilhões em 2011, mantém o País como campeão mundial da exportação do produto. Para abordar questões relacionadas à exportação, a Embrapa Café entrevistou o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil - Cecafé, Guilherme Braga. Embrapa Café - A que se deve essa queda do volume das exportações brasileiras e quais os principais entraves para o aumento das exportações de café? E para 2013, quais são as expectativas? Guilherme Braga - A perda de volumes em 2012 - no total de 5,2 milhões de sacas, ou seja, 33,508 milhões em 2011 contra 28,281 milhões de sacas em 2012 - se deve a um conjunto de fatores. De um lado, menor volume de estoques de passagem, agravado pelo enorme atraso no fluxo de colheita, preparo e ingresso no mercado por conta das chuvas de junho e julho, gerando uma baixa disponibilidade nos meses iniciais da safra. De outro, perda de competitividade pela baixa no mercado internacional. Paradoxalmente, a forte contração da oferta brasileira, localizada mais no café arábica, com redução de 3,7 milhões de sacas em 2012, não teve qualquer efeito sobre os preços externos, ensinando, mais uma vez, que a redução da oferta brasileira não necessariamente se reflete em alta dos preços. Dessa vez, a menor exportação de café arábica coincidiu com a sua substituição pelo robusta. Assim, os preços externos da variedade mostraram quedas que transmitiram igual tendência aos preços internos e, na ausência de uma política de financiamentos eficaz para a comercialização da safra, a iliquidez do mercado interno realimentou as pressões de baixa, pelo efeito circular que exerce. Para 2013, estima-se que os volumes de exportação devem se recuperar, com aumentos já no primeiro semestre, e retornar a montantes próximos de 32 milhões de sacas no ano de 2013, permitindo a reconsolidação da nossa participação de mercado. EC - Dos países que mais importam café no mundo, quais estão aumentando o percentual de participação e quais são mercados potenciais? E as principais características desses mercados? GB - Os grandes consumidores mundiais de café, no grupo de importadores, estão representados por países da União Européia, Estados Unidos e Japão, justamente os mais atingidos pela crise econômica de 2008 e anos seguintes. Nesses países, o consumo de café se caracteriza pela estabilidade e pequenos avanços, com alguns casos de pequenos recuos – caso do Japão e Grécia. No conjunto, estima-se que o crescimento nos anos recentes ficou abaixo de 1% a.a., tendo se observado, nos primeiros momentos da crise, uma mudança nas faixas de consumo, com a substituição do consumo de rua, mais caro, pelo dos domicílios. Isso afetou o volume global dos cafés especiais, que recuou nos últimos anos. No entanto, a partir de 2011, são visíveis sinais que indicam a retomada da demanda dos cafés especiais. Em relação ao mercado em geral, destacam-se os países emergentes (Rússia, Ucrânia, Polônia e outros), do lado importador. Nos países produtores, os resultados de expansão do consumo são mais exuberantes pelas altas observadas na Ásia, principalmente na Índia, e no Brasil e Colômbia. EC - A propósito, qual a participação dos cafés especiais na pauta de exportação? GB - O mercado dos especiais nos países importadores é estimado entre 8% a 12% do total, com crescimentos ao redor de 2% ao ano, o que mostra que ainda é um nicho e o ritmo de crescimento, relativo e absoluto, menor do que em períodos anteriores, de normalidade. Em grande parte, isso se deve à forte substituição de café arábica por café robusta, observada em 2012, não só nos países importadores como também nos produtores, motivada pelos diferenciais de preços entre essas qualidades. No Brasil, o segmento de cafés diferenciados representou cerca de 20% da receita de exportação, portanto, cerca de 1,3 bilhão de dólares, mostrando um recuo em relação a 2012, quando alcançou 24% da receita, por conta dos problemas causados pelas chuvas de junho/julho. EC - Poderia traçar o perfil do setor exportador no Brasil? GB - A característica principal do setor exportador de café é a sua desconcentração. Apesar de estar integrado, na safra 2011/2012, por 215 exportadores (empresas, cooperativas, produtores, pessoas físicas e jurídicas), as 50 maiores respondem por 90% da exportação. Difere, portanto, do cenário das demais commodities (soja, suco de laranja, carnes, algodão, etc), no qual o número de exportadores é em torno de oito conglomerados, com grande concentração. Oito empresas exportam acima de um milhão de sacas e o setor atinge 132 países, para os quais vendemos café. Levando em consideração que 58 países são produtores e o mundo possui 193 países, conclui-se que a presença do café brasileiro é bastante ampla. O comércio exportador utiliza largamente os instrumentos de mercado disponíveis, principalmente derivativos, que lhe permitem operar nos suprimentos de médio e longo prazo, condição que confere atuação comercial agressiva à exportação brasileira. EC - Qual a contribuição da pesquisa cafeeira para a consolidação dos mercados existentes e conquista de novos mercados? GB - Decisiva. É indiscutível que a atual cafeicultura brasileira, por conta da verdadeira revolução por que passou nos últimos 15 anos (principalmente desde a criação do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café) obteve avanços em genética, tecnologia de produção, qualidade e sustentabilidade. Hoje é a mais competitiva do mundo e a mais apta para atender as exigências de incremento da demanda. Em termos estruturais, avanços na área do preparo e processamento na fase pós-colheita são importantes para a disponibilização de cafés de qualidade e agregação de valor. EC - Quais as perspectivas de mercado no futuro para o café brasileiro e em que pesquisa e setores produtivo e exportador precisam incrementar esforços? GB - As perspectivas para o café brasileiro são bastante positivas. Cafeicultura moderna, produtiva, competitiva em termos de custos, que demonstra um dinamismo e forte capacidade de ajustamento às tendências e demandas do mercado. Esses são alguns fatores que dão sustentação à comercialização externa. A ampliação do nosso market share e a participação no incremento da demanda exigem necessariamente preservação da competitividade e manutenção da capacidade de atuar crescentemente nos segmentos/nichos de mercado que venham a se desenvolver (cafés diferenciados, especiais, orgânicos, descafeinados, sustentáveis e ainda outros). Enfim, o País tem de estar apto a fornecer o que o mercado venha a demandar. Nesse particular, ganha atenção o processo de substituição dos cafés da variedade arábica pelo café robusta, que vem se verificando no passado recente. Essa espécie de café caminha para representar entre 45% e 50% do mercado mundial. O Brasil, pelo grande uso da variedade robusta no suprimento à indústria de solúvel e ao consumo interno, é um exportador marginal dessa qualidade. EC - O Brasil terá condições de atender as exigências dos crescentes mercados nos próximos anos? Quais os principais desafios a serem enfrentados para manter o Brasil na vanguarda do comércio internacional de café? GB - Sem dúvida, as condições existentes e o grau de desenvolvimento tecnológico já alcançado respaldam tais expectativas. Existem, com certeza, inúmeros desafios a vencer. A permanência de um programa consistente de pesquisa que tenha como objetivos a elevação de produtividade com qualidade, manutenção dos investimentos, ampliação da extensão rural, sustentabilidade e certificação, entre outros. Emerge como questão fundamental a viabilização econômica das lavouras de montanhas e a otimização dos sistemas de mecanização e irrigação nas áreas planas. Além disso, os esforços atualmente para reforçar o novo conceito do café brasileiro, traduzido em produção de alta qualidade e dentro de condições de sustentabilidade, devem estar voltados para atingir o consumidor, que ganha cada vez mais força no mercado. Os vários cafés do Brasil - Devido à diversidade de regiões ocupadas pela cultura do café, o País produz tipos variados do produto, fato que possibilita atender às diferentes demandas mundiais, referentes ao paladar e até aos preços. Essa diversidade também permite o desenvolvimento dos mais variados blends, tendo como base o café de terreiro ou natural, o despolpado, o descascado, o de bebida suave, os ácidos, os encorpados, além de cafés aromáticos, especiais e de outras características.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Nutrição da vaca gestante influencia no desempenho do bezerro no cocho

Você sabe qual a relação entre a nutrição da vaca no primeiro terço de gestação e o rendimento do futuro bezerro no cocho do confinamento? Este é o tema da pesquisa do zootecnista Pedro Veiga, formado pela Universidade de Federal de Viçosa e mestre e doutor em nutrição de ruminantes pela mesma instituição. Os resultados e as recomendações serão apresentados na palestra de Veiga durante o simpósio CONFINAR 2013, que será realizado nos dias 9 e 10 de maio em Campo Grande, MS. Segundo o zootecnista, o tema é recente em sua pesquisa. “É o que chamamos de programação fetal, ou seja, como a nutrição materna interfere na formação e no desempenho da progênie”, esclarece Pedro Veiga. O intuito é prevenir os prejuízos que a nutrição inadequada da vaca gestante pode trazer, inclusive afetar a formação dos tecidos do feto bovino, principalmente o muscular (carne). Mais do que potencializar a formação de um bom bezerro, a boa nutrição faz com que a matriz entre em cio novamente mais cedo após o parto (encurtamento do período de anestro). A palestra abordará ainda efeitos do plano nutricional da vaca durante os diferentes estágios da gestação (terço inicial, intermediário e final da prenhez), que, segundo Veiga, podem interferir de forma distinta na formação do feto. “Tenho a opinião de que um dos grandes motivos para o baixo desempenho de alguns animais, mesmo no confinamento, advém de uma restrição nutricional quando ainda estão na barriga da vaca. É uma grande área de avanço para os pecuaristas”, opina Veiga. A palestra de Pedro Veiga está programada previamente para o segundo dia do simpósio sobre confinamento de gado de corte, às 14 horas. Além de mestre e doutor pela Universidade Federal de Viçosa, Pedro Veiga é pós-doutor em crescimento animal e qualidade de carne pela Iowa State University, EUA (2011-2012) e professor adjunto IV do Departamento de Zootecnia UFV, além de ser pesquisador científico do CNPq.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Tomates gourmet ampliam presença em supermercados

O produtor Eduardo Trebeschi nunca se esqueceu do inverno que enfrentou em 2009, em Berlim, quando foi a uma feira de hortaliças na capital alemã com o firme propósito de conhecer uma variedade de tomate que já era comercializada na Europa, Austrália e Estados Unidos. A "Intense", desenvolvida pela Nunhems - unidade de sementes de hortaliças da Bayer CropScience - tinha tudo para integrar o portfólio da Trebeschi Tomates, localizada em Araguari, no Triângulo Mineiro. A Trebeschi produz 75 mil toneladas anuais de diferentes variedades comerciais enquadradas nos grupos dos tradicionais tomates longa vida - de mesa, melhorados geneticamente para alcançar maior durabilidade, mas de sabor invariavelmente insosso - e dos "gourmet", frutos que caíram no agrado do consumidor por unir acidez e doçura, equilíbrio necessário para que a hortaliça não se torne insípida ou muito ácida. A Embrapa Hortaliças sustenta que esse segmento se fortaleceu nos últimos dez anos. Embora não haja estimativas formais, calcula-se que responda por 20% da produção nacional de tomates de mesa - composta basicamente pelos longa vidas (Débora e Carmem são os híbridos mais conhecidos) -, estimada em 2,2 milhões de toneladas anuais. O Brasil ainda produz cerca de 1,3 milhão de toneladas de tomates industriais, usados na fabricação de molhos. Ao todo, o mercado movimenta cerca de R$ 4,2 bilhões anuais no país. É difícil quantificar as variedades de tomates especiais. Os tipos holandês, cereja, sweet grape e pera - cujas sementes são comercializadas por multinacionais como Syngenta (dispõe de três variedades) e Bayer, com quatro variedades - são os mais conhecidos. Mesmo sem ter a dimensão exata desse comércio, Trebeschi não teve dúvidas em aceitar a proposta da Nunhems para desenvolver o mercado da variedade Intense no país e encorpar a categoria de "tomates gourmet" de sua empresa, cuja produção chega a 5 mil toneladas por ano. "É pouco em comparação ao comércio dos convencionais, mas não dá para ignorar uma tendência", diz. Há seis anos, a Trebeschi Tomates investe nessa área - o produtor não revela valores - com o intuito de fisgar o consumidor. Sua última aposta é uma variedade que tem o apelo de ser enxuta, com cerca de 70% menos água - o que diminui a lambança ao ser fatiada -, mais polpa e maior teor de açúcar (grau Brix 7). Marcelo Min/Editora Globo / Marcelo Min/Editora GloboO equilíbrio entre acidez e açúcar é ponto forte do sweet grape, tomate com formato de uva lançado há dois anos Segundo o produtor, o fruto de formato alongado (semelhante ao de um tomate italiano) e coloração vermelho intenso é ideal para sanduíches e saladas, e atende à demanda da cadeia de foodservice (alimentação fora de casa). Mas Trebeschi reconhece as dificuldades de implantar o cultivo na propriedade. Foi preciso trabalhar duro para adaptar o plantio às condições de clima e solo do Brasil. "É necessário caprichar na dosagem de cálcio porque o fruto tem pouca água", explica. O cultivo é feito em estufa e a meta é chegar a 7,5 kg por planta - são 12 mil no total. Por enquanto, são alcançados 4,5 kg por planta, e a cada 90 dias uma estufa está sendo colhida. As embalagens de 500 g (R$ 4,50 cada uma) são encaminhadas para os principais centros consumidores do país. O produtor informa que lidar com as variedades "gourmet", quase sempre de tamanho diminuto e mais adocicadas, requer vigilância constante do horticultor para um cultivo delicado que necessita de uma dose equilibrada de nutrientes para afastar as pragas em época de desenvolvimento e maturação do fruto. Foi por essa razão que a Sakata, empresa japonesa instalada no Brasil há 18 anos e considerada uma das líderes no segmento de sementes, ficou com um grupo de 80 produtores - no início eram 250 - para o cultivo do sweet grape, de formato pequeno e alongado feito uma uva, lançado há pouco mais de dois anos. "Reduzimos o número de agricultores para organizar o mercado. O produto desenvolvido para ser especial estava sendo misturado com outros tipos de tomate de forma indiscriminada", afirma o coordenador técnico de novos negócios da multinacional, Márcio Jampani. Segundo ele, o fruto pode ser consumido em saladas ou como aperitivo por conta da sua doçura (grau Brix 6, no mínimo). O agricultor Ricardo Gonçalves Brito foi um dos que permaneceram no grupo refeito pela empresa, que estima uma produção de 89 mil toneladas destinadas ao mercado neste ano. O cultivo do sweet grape foi a primeira experiência de Brito com tomates gourmets - há 12 anos ele lida com plantios de tipos convencionais - e o produtor reconhece a delicadeza do cultivo. "É quase como cuidar de um bebê", compara. O produtor informa que investiu R$ 600 mil ao todo para instalar as quatro estufas na propriedade de São Miguel do Arcanjo, a 180 quilômetros de São Paulo. Nelas ele mantém 12 mil pés e produção de 8 kg por planta. O manejo delas é feita por uma equipe de dez pessoas, responsável pelo custo de produção oneroso (em torno de R$ 2,80 por quilo), que monitora a irrigação por gotejamento, o controle de pragas, entre outros cuidados, para que em um ciclo de 90 dias sejam colhidas em uma estufa tomatinhos de 12 gramas cada um. As embalagens de 180 gramas (R$ 4) são encaminhadas para supermercados de São Paulo. Na análise do engenheiro agrônomo Paulo César Tavares de Melo, da Esalq (USP), um dos maiores especialistas brasileiros de tomate, as variedades gourmet são consideradas produtos especiais no mundo todo. "É um mercado segmentado como tantos outros", diz. Para o professor, o consumidor tem a chance de resgatar o sabor da hortaliça, prejudicado com os programas de melhoramento genético que priorizaram a resistência a doenças e a durabilidade (de dez a 15 dias de prateleira) que permite o transporte por longas distâncias. "Se fosse colhido mais maduro, não seria tão ruim. Mas isso não acontece e o tomate de mesa tradicional mais se parece um isopor", afirma.