sexta-feira, 30 de abril de 2010

Panamá sedia Conferência da Organização das Nações Unidas

Entre os convidados do encontro – no qual serão discutidos temas como segurança alimentar, os recursos naturais e o desenvolvimento econômico e rural na América Latina e no Caribe – estará o secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Crispim Moreira, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)

A partir desta segunda-feira (26/4), a Cidade do Panamá vai sediar a 31ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) para a América Latina e o Caribe. Os participantes discutirão temas relacionados com a segurança alimentar, os recursos naturais e o desenvolvimento econômico e rural da região.

A reunião contará com a participação de delegações dos 33 Estados membros da região, agências de Nações Unidas, organismos intergovernamentais, representantes de Organizações Não Governamentais (ONGs) e observadores. A delegação brasileira terá, entre seus integrantes, o secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Crispim Moreira, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

A Conferência acontece a cada dois anos e representa o maior fórum da FAO na região. Nela, se revisam as atividades realizadas e se formulam recomendações, sugestões e desafios, tanto para a Organização, como para os governos. É a oportunidade para estabelecer um diálogo sobre os problemas e orientações referentes ao desenvolvimento agrícola, florestal e pesqueiro, além de dar seguimento aos acordos estabelecidos em conferências anteriores.

Neste ano, os principais assuntos a serem debatidos são a gestão de riscos e respostas a emergências, as mudanças climáticas e suas repercussões, o desenvolvimento territorial nas zonas rurais, a reforma do Comitê de Segurança Alimentar da FAO, o direito humano à alimentação e a situação no Haiti, além de informes sobre as medidas adotadas em relação às recomendações da última conferência regional realizada em Brasília em 2008.

As últimas Conferências Regionais da FAO para a América Latina e o Caribe aconteceram na Venezuela (2006), Guatemala (2004), Cuba (2002) e México (2000).


Fonte: MDA

sábado, 24 de abril de 2010

Setores mais protegidos são químico e têxtil

Até o fim do ano passado, o Brasil aplicava 67 sobretaxas, entre antidumpings e salvaguardas. Se uma mesma medida prejudica dois países, é contada duas vezes.

Os setores mais protegidos por medidas de defesa comercial no País são o químico e têxtil. Os produtos têxteis respondem por 21,7% das sobretaxas em vigor - são poucos produtos, mas muitos os países afetados. As barreiras impostas contra a importação de químicos equivalem a 20,3% das medidas.

No ano passado, duas medidas antidumping beneficiaram o setor têxtil, encarecendo a importação de fios e fibras de viscose. Nesses dois casos, vários países foram atingidos: China, Índia, Indonésia, Tailândia, Taiwan e até a Áustria.

Segundo Fernando Pimentel, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), a China é o maior fabricante de têxteis do mundo, mas outros países da Ásia também desenvolveram uma produção significativa.

Ele acredita que a tendência é o Brasil aplicar mais medidas antidumping à medida que cresce no mercado externo. A arena internacional é bastante disputada e não existem freiras nesse jogo, disse.

Nelson Pereira dos Reis, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), explica que a prática de dumping é muito comum no setor.

Quando o mercado está mais fraco, as empresas preferem perder margens do que reduzir a produção. Por cotas industriais, as fábricas são obrigadas a trabalhar no limite.
O mercado brasileiro foi muito atacado por fornecedores internacionais na crise porque a demanda caiu em todo o mundo, disse Reis. O setor tem hoje ao menos seis casos em análise no Departamento de Defesa Comercial (Decom), do Ministério do Desenvolvimento.

Em destaque
Os produtos têxteis respondem por 21,7% das sobretaxas em vigor. As barreiras contra a importação de químicos respondem por 20,3%.

Fonte: o estado de São Paulo

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Organização na produção é chave para o alavanque da fruticultura no norte de Minas

Valéria Esteves

A exportação representa uma boa opção para agregar valor aos produtos e aumentar os lucros por parte dos produtores de frutas, sobretudo, daqueles instalados em perímetros irrigados como o Projeto Jaíba, no Norte de Minas. Porém, para alcançarem o mercado externo, os agricultores terão que se organizar. A afirmação foi feita pelo diretor do Departamento de Promoção Internacional do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Eduardo Sampaio.

Ele participou do Seminário do Agronegócio para Exportação (AgroEx), promovido pelo Ministério da Agricultura, na quinta-feira,15 de abril, em Montes Claros, e que reuniu agricultores do Jaíba e de outros perímetros irrigados do Norte de Minas como os projetos Gorutuba (Janaúba/Nova Porteirinha) e Pirapora. Durante o evento, foram repassadas informações aos produtores sobre os procedimentos e normas que devem seguir para venderem para o mercado internacional, como o atendimento a exigências fitossanitárias.

De acordo com Sampaio, as exportações brasileiras de frutas movimentam, hoje, cerca de R$ 1 bilhão por ano. “Mas, o país tem potencial para um faturamento muito maior, pois produz frutas de qualidade, principalmente, em áreas irrigadas de regiões de clima tropical como o Norte de Minas”, avalia o representante do Ministério da Agricultura.
Sampaio salienta que, atualmente, as frutas exportadas pelo país em maiores volumes são uva, manga, melão e limão. Mas, que existem condições favoráveis para a venda de outras frutas para o mercado externo, como é o caso da banana.





“A participação do Brasil no mercado internacional de frutas ainda é muito pequena. O mercado mundial da banana movimenta cerca de US$ 10,5 bilhões por ano e o Brasil alcança somente 0,5% desse mercado. Já a venda da uva movimenta US$ 3,5 bilhões por ano no mundo, com uma participação brasileira de 3,5%”, observa Eduardo Sampaio.

Ele ressalta que, para exportar, os produtores deverão se organizar por intermédio de cooperativas ou consórcios. Assim, terão condições de negociar com os compradores, firmar contratos com outros países. Também deverão cuidar de outros aspectos como a logística parar levar as mercadorias até os portos ou aeroportos e cumprir prazos e garantir a entrega das quantidades previstas nos contratos.

Sampaio assegurou ainda que o Departamento de Promoção Internacional do Ministério da Agricultura oferece todo o auxílio aos agricultores interessados na exportação. Além da orientação sobre as normas e procedimentos burocráticos, o Ministério pode apoiar os produtores para que eles possam formar missões e viajar até outros países, a fim de fechar contratos ou participar de rodadas de negócios.

Conforme o Ministério da Agricultura, Minas Gerais ocupa o 4º lugar no ranking de exportadores do agronegócio. No primeiro trimestre de 2010, as exportações mineiras no setor alcançaram US$ 1,47 bilhão contra US$ 1,18 bilhão, no mesmo período do ano passado. O resultado representa aumento de 23,9%. Os destaques de janeiro a março deste ano foram as vendas de café (US$ 819,6 milhões), produtos florestais (US$ 174,9 milhões) e complexo sucroalcooleiro (açúcar e etanol), com US$168,6 milhões.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Alimentação à base de peixe é a tendência de mercado

Valéria Esteves


A criação de peixes tem atraído muitos produtores do Norte de Minas e, com a chegada da quaresma, a procura ainda é mais intensa. A associação de produtores de Janaúba espera boas vendas nesse ano, já que as do ano passado renderam bons frutos.

Esses produtores, uma média de 14, foram treinados pela Codevasf - Companhia de Desenvolvimento dos vales do São Francisco e Parnaíba por meio dos arranjos produtivos da piscicultura, no qual capacitaram muitas famílias e produtores ribeirinhos da região.


Piscicultura é um incremento da renda familiar do produtor
no Norte de Minas (foto: Wilson Medeiros)


Ano passado foi a primeira vez que os produtores se aventuraram em ser peixeiros na feira, que acontece aos sábados, no mercado municipal de Janaúba. E o resultado disso é que o grupo já tem um ponto de atendimento no mercado para comercializar seus peixes, ou melhor dizendo suas tilápias. A intenção é atender à domicílio.

No Norte de Minas os criatórios são mantidos dentro de canais de irrigação, como acontece no Jaíba e nos próprios rios Gorutuba, São Francisco entre outros.
Mas a intenção da piscicultura da região é servir de incremento para a renda familiar, o contrário da pesquisa da Universidade de Passo Fundo, intitulada de Policultivo de Jundiás, Tilápias e Carpas. A pesquisa, coordenada pelo professor Leonardo Barcellos aponta um novo caminho para que agricultores consigam aumentar sua produção de peixes e, por conseqüente, sua rentabilidade.

Segundo informou a assessoria da Universidade, o policultivo tem na inter-relação entre as espécies um dos segredos de seu êxito e é tema da dissertação de mestrado do médico veterinário Leonardo Bolognesi da Silva, que participa ativamente do projeto.

De acordo com os números do projeto, de uma média anual de uma a duas toneladas de peixes por hectare é possível, através da inovação, passar para uma produção média de até cinco toneladas por hectare/ano. Como conseqüência direta disso, a renda dos produtores pode mais do que dobrar. Os resultados da pesquisa, na qual já foram investidos diretamente mais de R$ 80 mil, foram publicados em respeitadas revistas internacionais especializadas no tema.

PISCICULTURA

A Emater do Projeto Jaíba acredita que, se organizada, a cadeia produtiva da piscicultura pode render bons frutos.
Ela aparece como forma de investimento para empresários e pequenos produtores como alternativa de melhoria da renda e aproveitamento da água que flui pelos canais até os lotes onde será utilizada para irrigação.

O Jaíba conta com aproximadamente 250 quilômetros de canais com diferentes dimensões, sendo que 55 quilômetros apresentam condições bastante favoráveis de ambiente e fluxo de água para piscicultura intensiva, onde é possível a exploração direta nos canais ou com uso de tanque rede, apresentando um potencial de produção da ordem de 1,5 mil toneladas de peixe ao ano, declarou a Emater.

Nos últimos anos, a piscicultura em águas continentais brasileiras vem crescendo a uma taxa superior a 10% ao ano, sendo conveniente ressaltar o grande potencial de produção, favorecido pelas condições de qualidade da água e clima no Projeto Jaíba.

O assunto também foi pauta do terceiro encontro dos zootecnistas do Norte de Minas, realizado na última semana em Montes Claros. A professora Priscila Vieira Rosa Logato, da UFLA falou sobre produção de tilápia, manejo e engorda em tanques rede.

Enfatizou que a busca pela qualidade na alimentação tem impulsionado a atividade. As classes A, B e C estão optando por peixe ao invés de carne vermelha ou até mesmo contrabalanceando a dieta alimentar para estar sempre em dia com a saúde do corpo e da mente. Para que uma criação tenha sucesso, os tanques devem ter a uma temperatura acima de 25 graus, o que naturalmente ocorre no Norte de Minas. Na estação de piscicultura de Janaúba, os tanques, e com certeza os engenheiros de pesca, é que promovem a vida que povoa os rios, lagos e barragens da região.

Produção de florestas pode ser o grande negócio dos próximos anos

Produção de florestas pode ser o grande negócio dos próximos anos, dizem especialistas: no Norte de Minas os produtores já podem procurar o BNB para obter financiamentos.


Valéria Esteves

Especialistas do agronegócio dizem que produção de florestas pode ser o negócio dos próximos anos. Tendo em vista o crescimento do setor de decoração e a procura por casas e propriedades rurais que levam postes de eucalipto entre outras árvores, produtores já vislumbram um bom rendimento com a produção de florestas. Esse tema será debatido durante o II Agrinvest, seminário internacional de negociações estratégicas, organizado pela Epamig- Empresa de pesquisa agropecuária de Minas Gerais e universidade federal de Viçosa.




Com a visão de plantar florestas e ainda aproveitar o espaçamento que fica entre as plantas, o produtor pode ter outras culturas dentro da mesma área. Haverá dentro da programação do II Agrinvest uma rodada de negócios sobre gestão de florestas. A rodada vai contemplar uma visão empresarial e científica da gestão de florestas e de produtos da madeira como fonte de geração de novos negócios.

O professor do departamento de economia rural da Universidade federal de viçosa será o coordenador Aziz Galvão da Silva Júnior, sendo que a rodada terá os participantes, Votorantim celulose e papel, Aracruz celulose, Italmagnésio Nordeste, Sebrae, reflorestadora Alto Jequitinhonha - Refloralje, Banif- Banco internacional do Funchal.

O plantio de florestas é uma alternativa contra o desmatamento, já que o eucalipto é apropriado para a feitura de carvão vegetal.
No Norte de Minas o BNB- Banco do Nordeste tem investido no setor contando com o deslanchar da produção, que na visão de especialistas tem grandes chances de ser uma das atividades de mais rentabilidade nos próximos anos.

Segundo informou a assessoria de imprensa do banco do Nordeste para os estados de Minas Gerais e Espírito Santo, a linha de crédito FNE verde- Fundo constitucional de financiamento do Nordeste - Programa de financiamento à conservação e controle do meio ambiente, financiou R$ 8,7 milhões com reflorestamento. Com o Pronaf- Floresta- Programa nacional de agricultura foram mais R$ 46 mil. No ano passado foram investidos no total R$ 62,2 milhões. A demanda têm sido crescente por conta da grande procura das siderúrgicas por financiamentos de projetos de reflorestamento para abastecer seus fornos com carvão vegetal.

FINANCIAMENTO

Conforme conta o superintendente Nilo Meira, os projetos a serem contemplados pelo BNB são de
manejo florestal e de reflorestamento, incluindo elaboração do projeto, itens agronômicos vinculados à sua implantação, custos de assessoria empresarial e técnica na fase de implantação, aquisição de mudas, adubos e fertilizantes. Dentre as espécies passíveis de financiamento, destacam-se: pinus sp, eucalyptus sp, frutíferas, espécies nativas e outras.

A assessoria conta também que a linha de crédito é destinada a produtores rurais atuando isoladamente ou, preferencialmente, em projetos produtivos integrados e recuperação de áreas degradadas, empresas com projeto de implantação ou expansão de áreas de reflorestamento.

Os juros são de 6% anuais para pequenos produtores, suas cooperativas e associações, 8,75% anuais para pequenos e médios produtores, suas cooperativas e associações. Para grandes produtores, suas cooperativas e associações, 10,75%. Para os outros setores, 8,75% ao ano para microempresa e
10% a.a. para pequena empresa entre outros que podem ser confirmados nas agências do banco.

- O Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha apresentam áreas propícias para o cultivo de florestas plantadas, principalmente o eucalipto. Para o apoio a essa atividade o BNB dispõe de linha de financiamento específica e sem igual no país, com encargos financeiros diferenciados, além de prazo compatível com o ciclo da cultura. Várias operações já foram contratadas e muitas outras estão em andamento e com certeza esse apoio repercutirá no índice de desenvolvimento regional, gerando mais e emprego e renda para os municípios envolvidos na atividade, conclui Nilo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Troca de tecnologia: Dia de campo leva conhecimento para o produtor rural

Valéria Esteves

O dia de campo da uva em Mocambinho, Projeto Jaíba atraiu produtores e estudantes. Mas foram os sócios da Cooperativa de crédito rural acompanhados pelo Sebrae que estavam afoitos para saber como funcionam as pesquisas com relação às bananeiras.




Segundo Orlando Resende, membro do grupo de 11 sócios da cooperativa diz que são produzidas cerca de 35 toneladas de banana por hectare em Almenara, onde atuam. Hoje utilizam uma área equivalente a 210 hectares, sendo que devem arrendar outros 180 hectares para aumentar a produção.

Uma média de 35 pessoas entre eles empresários, produtores rurais, e outros profissionais resolveram sair de Almenara para conhecer como funciona a cadeia produtiva da banana em Janaúba e no Projeto Jaíba. Visitaram a Abanorte - Associação dos bananicultores do Norte de Minas Gerais, Epamig - Empresa de pesquisa agropecuária de Minas Gerais o Distrito de Irrigação e alguns bananais.

O custo com a produção de banana-prata em Almenara fica em torno de R$ 8 por caixa, sendo que o termômetro da cotação de preço nessa cidade se baseia na cotação de Janaúba.

Em dois anos de atividade a Cooperativa de crédito rural tem obtido êxito, isso porque os sócios, muitos deles empresários, produtores rurais, administradores querem tornar o negócio rentável, o que não acontece em alguns perímetros irrigados por fatores diversos.

- Viemos ao Norte de Minas com a proposta de aprender tecnologias novas para investir com segurança. E o Sebrae, a Epamig e empresas que trabalham com irrigação podem nos orientar a melhor investir em nossa produção.

Apesar do problema com a infraestrutura das estradas, uma das dificuldades para escoar a produção de banana, a Cooperativa acredita que o Pró-acesso vai resolver o impasse. Hoje a entidade comercializa seu produto com o Rio de Janeiro, mas a intenção é fazer negócios com outras praças como a de Salvador entre outros.

Quem credia a cooperativa são instituições como a Credivag, banco do Nordeste e banco do Brasil. A intenção é que o grupo hoje formado por 11 pessoas chegue a 20 nos próximos tempos.

DIA DE CAMPO

Os pesquisadores da Epamig apresentaram ao público como as pesquisas podem ajudar o produtor na hora de escolher a melhor uva para se plantar e principalmente como proceder na hora do manejo.

O Brasil produziu, em 2002, cerca de 1.120 mil toneladas de uvas, sendo 53,4% para consumo in natura. O consumo de uva de mesa no Brasil situou-se em 3,42 quilos per capita.

Segundo informações da Embrapa o Estado de São Paulo é o principal produtor de uvas de mesa, participando com cerca de 20% da área e da produção nacional. Quase que a totalidade da área plantada no Estado (12.152 hectares, em 2002) destina-se à produção de uva de mesa. Dados do IEA e CATI situam a safra 2002/2003 com produção de 176,7 milhões de quilos de uva, sendo 88,9 milhões de uvas finas, 84,3 milhões de quilos de comum para mesa e 3,3 milhões de uva para a indústria. Esta produção é realizada, normalmente, por pequenos produtores. A uva Niágara Rosada é destinada exclusivamente para o mercado interno, onde tem grande aceitação.

Várias qualidades de uvas estão sendo estudadas na Epamig, inclusive as apirênicas, - sem sementes. No Dia de Campo foi mostrado como as uvas podem sofrer reações quanto a adubação e como deve ser feito o controle de adubação e irrigação. Mais informações podem ser obtidas no centro tecnológico em Nova Porteirinha.

Taxas de juros reduzidas e facilidade de crédito para o produtor rural

Valéria Esteves

Tarifas reduzidas e facilidade para o produtor empreendedor. É assim que o BNB entende a redução das taxas de juros cobradas pelo FNE - Fundo constitucional de financiamento do Nordeste. A medida, segundo Nilo Meira, superintendente do BNB para o Norte de Minas Gerais e Espírito Santo vai fazer com que os produtores possam tomar empréstimos com a vantagem de ter taxas reduzidas e melhores formas de pagamento.


Tarifas oferecem vantagens aos produtores

A redução baseada no decreto nº 5.951 publicado no diário da união no dia primeiro deste mês prevê que as taxas de financiamento fossem reduzidas por meio do FNE, FNO Norte e Centro-Oeste FCO. A redução conforme anunciou Nilo é de até 16,3% a 17,9% em relação às taxas atuais.

- O BNB entende que essa redução é de grande importância para se estabelecer um padrão de maior competitividade aos financiamentos, assegurando melhores condições para realização de investimentos para o desenvolvimento da região Nordeste e Norte de Minas – diz.
Nilo conta que a redução das taxas já era uma negociação que vinha sendo feita há algum tempo.

Segundo a assessoria de comunicação do BNB, em julho deste ano, durante encontro com o presidente Lula, juntamente com dirigentes de outros bancos oficiais, o presidente do BNB apresentou proposta de redução dos juros do FNE, que, segundo ele, estavam perdendo competitividade, especialmente nas operações com grandes e médias empresas, em relação, por exemplo, aos financiamentos do BNDES.

A partir de janeiro de 2007 os mini produtores rurais do semi-árido terão as taxas de seus financiamentos reduzidas de 6% para 5% ao ano, e ainda gozam de um rebate de 25% no encargo se pagarem em dia os financiamentos, o que reduz a taxa anual para 3,75% ao ano.

Para grandes empresas, a taxa do FNE a partir de janeiro será reduzida de 14% para 11,5% ao ano, o que representa uma taxa de 8,63% ao ano, se a empresa estiver localizada no semi-árido e o cliente pagar em dia, devido ao rebate de 25%.
Mesmo a taxa do FNE para grandes empresas, que é mais elevada que as dos financiamentos para micro, pequenos e médios empreendimentos, estará bem competitiva, representando TJLP mais 2,9%.

Vale lembrar que mesmo que a redução entre em vigor em janeiro do próximo ano, as operações contratadas até dezembro desse ano também serão atendidas.
Para Júlio Pereira, presidente do Sindicato Rural de Montes Claros e da Associação dos sindicatos rurais do Norte de Minas, a diminuição nas taxas vão facilitar o acesso ao crédito para os produtores rurais, apesar de acreditar que os governos estadual e federal exijam algumas obediências que tornam o processo de tomada de empréstimo burocrático.

- O superintendente do BNB nos disse que para o próximo ano está previsto um orçamento de aproximadamente R$ 240 milhões e cremos que há boa vontade do Banco em ouvir a classe. E agora que as taxas diminuíram esperamos que haja melhora no acesso ao crédito e que a região obtenha mais investimentos com essa decisão, diz.

Irrigar lavoura à noite pode significar economia ao produtor rural

Valéria Esteves


A tarefa de irrigar a produção pode não ser tão simples como pensam algumas pessoas. Ela também pode não ser tão barata como se imagina. No Projeto Jaíba bem como em outros projetos de irrigação, os produtores têm trocado o dia pela noite para molhar suas lavouras.

Segundo Everardo Chartuni Mantovani, professor do departamento de engenharia agrícola da universidade federal de Viçosa, o gerenciamento da irrigação pode contribuir como instrumento na maximização da rentabilidade na agricultura irrigada do Norte de Minas.

A irrigação também tem que significar desenvolvimento. O professor disse em palestra ministrada em Montes Claros na última semana, que a engenharia brasileira que fabrica equipamentos para irrigação é uma das melhores do mundo, e que o sistema técnico de gerenciamento pode ser um aliado na hora de optar pelo gotejamento, aspersão, micro-aspersão, entre outros.

Lembrou que os produtores devem ter cuidado na hora de aplicar a água nas culturas. Já houve registros de perdas de culturas porque receberam muita água. Nessa hora o manejo deve contar. Em cada propriedade é necessário que se tenha acompanhamento de um profissional que estude com o produtor quando e quanto se deve irrigar, mesmo porque a irrigação também depende do gerenciamento da produção de solo, clima e água. Nada pode ser negligenciado, defende Everardo.

- Posso dizer que a incerteza leva ao gerenciamento empírico e pode significar em alguns casos a perda de renda.

Ele ainda acrescenta que a agricultura irrigada é o futuro mais rentável dos próximos anos, mas é preciso que o produtor tenha uma estrutura montada dentro de sua propriedade. Um treinamento para saber o funcionamento dos sistemas como o pivô, aspersão podem servir para que se criem novos sistemas. O mais interessante é que quem usará o sistema de irrigação saiba da importância de continuar um programa de gerenciamento.

ECONOMIA

Os especialistas dizem que o processo de outorga da água na região pode dar mais segurança aos produtores, porque ele saberá quanto estará gastando de água. Segundo a Agência nacional das águas, no gerenciamento da irrigação, desde a captação até a aplicação, o usuário deverá buscar uma eficiência de uso da água mínima de 65%.
Hoje quem molha suas culturas à noite, economiza cerca de 14% a 18%. Pela manhã para quem irriga, a tarifa cobrada fica na casa de 60%, sendo que à noite a tarifa é de 40%.

Everardo afirma que o produtor não sabe ler a conta de energia e que por tal motivo é preciso ter como auxílio a experiência de um profissional. O uso de tabelas também pode ser usado como acompanhamento para gerenciar a irrigação.

Essa tabela estipulando as formas de manejo e os cálculos do que está sendo aplicado na propriedade tem feito frutos crescerem em algumas regiões onde o método foi utilizado. O professor mostrou que o crescimento dos frutos chegou a 100%.

Everardo, que faz parte da equipe da Irrigar diz que, o objetivo em implantar um sistema de gerenciamento é não envolver aumento no custo de produção, os resultados nos mais de 20 mil hectares gerenciados comprovam aumento na rentabilidade da fazenda.

- Isto ocorre via aumento da produtividade e da produção, diminuição do consumo de energia e água, diminuição das perdas de nutrientes via lixiviação pelo excesso de aplicação, entre outros.

Assim, os custos da implantação do gerenciamento da irrigação, são compensados pelo aumento da rentabilidade, com valores da ordem de 5% deste aumento. Todo investimento necessário, estação meteorológica, estufa e balança que compõem o sistema de aferição em campo, são de responsabilidade da empresa que coloca o sistema - conclui.

Rios da região ganham mais vida: arranjos produtivos da piscicultura podem movimentar economia regional

Valéria Esteves

Em época de piracema, a boa pedida é repovoar os rios. Há algum tempo, os rios do Norte de Minas têm sido repovoados por alevinos de tilápia, tambaqui, piau, curimatã, entre outros, o que tem significado muito para as comunidades que dependem dos peixes tanto para comer como para continuar o comércio dos mesmos, como sempre aconteceu nas cidades ribeirinhas da região.



O projeto APLS - Arranjos produtivos locais, coordenado pelo engenheiro de pesca da Codevasf - Companhia de desenvolvimento dos vales do São Francisco e Parnaíba, Jackson César de Sousa Rosa, tem capacitado vários pescadores que pretendem aproveitar o conhecimento recebido para manter seu próprio negócio num futuro bem próximo.

DUAS TONELADAS/ANO

O projeto APLS tem hoje cerca de duas mil e quinhentas famílias que têm produzido em média duas toneladas de pescado por ano, nos municípios de Pedras de Maria da Cruz, Pai Pedro, Matias Cardoso, Manga, Januária, Itacarambi, Gameleira, Janaúba, entre outros. Atualmente, os alevinos são induzidos, procriados na estação de piscicultura do Gorutuba, pelo engenheiro e por sua equipe, que capturam para cunhos científicos peixes nativos nas barragens, para a retirada dos óvulos das fêmeas e pelo sêmen dos machos. O objetivo disso tudo é devolver a vida para lagos, barragens e rios.
Com uma produção ativa, a estação de piscicultura induz apenas 30% de sua capacidade de reprodução, mesmo porque são muitas larvas que os tanques da estação não poderiam atender.

Jackson conta que o propósito é colocar a larva no lugar dos alevinos nos rios, para que a reprodução se dê naturalmente e tenha maiores chances de vingar. Dentro do programa de piscicultura estão em processo de capacitação cerca de 127 pescadores que estão atentos à criação de peixes nos tanques-rede localizados em seus municípios. Como estratégia, os tanques são instalados no Rio São Francisco, na barragem de Gameleira e no Rio Gorutuba. Cada unidade produz em média 24 toneladas.

BENEFICIAMENTO

Os 127 pescadores capacitados pelo engenheiro de pesca aprendem tudo sobre a criação de peixes e sobre como gerar emprego e renda para suas famílias, principal meta da Codevasf.

Ao todo são 14 tanques-rede adaptados para a capacitação dos pescadores, o que dá em torno de 10 pescadores por tanque. Durante todo o ciclo de procriação, que dura seis meses, os pescadores dividem as tarefas, sendo que a principal delas é manter os peixes vivos.

A última safra, segundo Jackson, retirada dos APLS, foi de 5,5 toneladas. Ele diz ainda que a companhia pretende incentivar o associativismo entre os pescadores, que já podem contar com financiamento de agentes financeiros como os bancos do Nordeste e do Brasil.

Essa atividade pode significar mais um ganho para a economia norte mineira, como já acontece com a fruticultura. No projeto de piscicultura, que consta de um módulo de quatro tanques-rede, o financiamento pode chegar a R$ 9 mil. Sendo que, neste caso, um pescador avalisa o outro.

- Nossa meta primordial é capacitar para depois pensar em renda, mas orientamos os pescadores que, na piscicultura, é muito melhor trabalhar coletivamente do que isoladamente. Nossa meta é agregar valor à renda da família.

PARCERIA

A companhia tem parcerias com a Emater e a secretaria de Aqüicultura e Pesca, que visam implantar mini-unidades de gerenciamento e formar um pólo de aqüicultura nos canais do projeto Jaíba em 2007.

Gaúchos incentivam produção de sementes no Norte de Minas

Valéria Esteves

Empresa de sementes que trabalha com contratos com os agricultores do Jaíba e Matias Cardoso firma contrato que vai avaliar a potencialidade de produção de sementes no Rio Grande do Sul. A empresa gaúcha pretende fechar contratos como esse também na região, o que ajudará o desenvolvimento da cultura de sementes que muito tem significado para o crescimento do setor agroeconômico.
Segundo a assessoria de imprensa da Islã Sementes, no caso desse contrato, a prefeitura de Júlio de Castilho, Rio Grande do Sul, foi peça fundamental, mesmo porque os agricultores familiares serão diretamente beneficiados. A princípio cinco famílias vão cultivar dez variedades de flores e ervas medicinais e terão apoio técnico da escola agrícola do município. As variedades foram determinadas pela Islã com base nos dados históricos de chuvas e temperatura fornecidos pela prefeitura.




PLANTIO

O plantio já começou e a finalização da colheita está prevista para março do próximo ano. Nesse período, a empresa vai avaliar o comportamento, a adaptação e a produtividade das cultivares. Se o resultado for positivo, a Isla poderá estabelecer um contrato diretamente com os agricultores a partir da safra 2006. Nesse caso, haverá ampliação do número de cultivares e das famílias agricultoras, que trabalharão como cooperantes da Isla.

O secretário da agricultura de Júlio de Castilhos, José Geraldo Ovelame, explica, conforme nota da assessoria, que o cultivo de sementes pode se tornar uma boa fonte de receita para as famílias de baixa renda. Esse tipo de agricultura comenta, é adequado a famílias de pequenos agricultores, pois exige baixo investimento, envolve a mão-de-obra da própria família e pode ser realizado em pequenas áreas. Ele espera que a experiência dê certo e que desperte o interesse de outros agricultores.

Para a Isla, a iniciativa da prefeitura de Júlio de Castilhos veio em boa hora, pois a empresa tem interesse em abrir novos pólos de produção no estado. A experiência nas duas atuais áreas de produção, em Candiota (RS) e nos municípios mineiros de Jaíba e Matias Cardoso mostra que o sistema de cooperantes é bom para todas as partes.

FAMÍLIA E RENDA

Por um lado, a empresa conta com o empenho e a responsabilidade do trabalho familiar. As famílias, por sua vez, recebem toda assistência técnica necessária em todas as fases da produção. A diretora da Isla, Diana Werner, diz que o cultivo de sementes de hortaliças e flores é uma ótima alternativa de renda.

- Quando bem executada, a atividade pode render uma receita extra à família ou, em alguns casos, até tornar-se a fonte principal de renda - ressalta.
Ela acredita que a parceria tem tudo para dar certo e que, a partir de 2006, o novo pólo de produção da Isla esteja concretizado em Júlio de Castilhos.

NORTE DE MINAS

Os pequenos produtores do Projeto Jaíba, alguns já com o plantio de culturas como alface, jiló, abóbora, pepino, entre outros, em andamento, se mostram satisfeitos com os resultados, sendo que os mesmos acreditam que a produção de sementes, que tem sido responsável pelos melhores números de produção alcançados se deve a variação de culturas.

Vários produtores, como Valdeon Rodrigues, Isaac Martins e Ivo Rodrigues, entre tantos outros dizem ter gostado de experimentar firmar o contrato com empresas de sementes, mesmo porque eles entram com a mão-de-obra e o pagamento da água e da luz gastos na manutenção da lavoura. Em contrapartida a empresa entra com as sementes e os insumos agrícolas. Ao final as sementes passam por um processo de seleção em que só os melhores grãos são escolhidos.

Fartura no Projeto Jaíba: sementes distribuídas pelo Programa Minas sem fome resultam da produção de 400 hortas

Valéria Esteves

Produtores familiares ainda colhem frutos da parceria firmada entre governo do estado de Minas Gerais e ministério do Desenvolvimento social. Conforme informações da Emater do Projeto Jaíba, no final do ano passado foram entregues a 166 associações de produtores insumos agrícolas bem como assistência técnica, regadores, entre outros materiais para a feitura de pomares e hortas domiciliares oriundos do programa Minas sem fome.
O programa realizou doações em todo o estado.


As sementes de hortaliças são oriundas do Minas sem fome,
distribuídas pela Emater (Foto: divulgação)

Segundo José Aloízio Nery, coordenador da equipe técnica do Jaíba, quem plantou milho e irrigou teve um pouco mais de sorte, ao contrário de quem preferiu esperar as chuvas que demoraram a chegar no Norte de Minas.

Foram plantadas cerca de 400 hortas, além de frutas que hoje são pomares nas propriedades rurais dos produtores. Quanto às hortas, muita gente deixou para plantar no tempo de sequeiro prevendo que as chuvas não encharcassem os canteiros e com isso, viessem a perder todas as sementes.

AJUDA

As famílias recebem, além dos insumos para implantarem suas unidades de produção, assistência técnica e orientação para plantio, cuidados e práticas na condução e colheita de cada espécie, assim como as orientações e cursos sobre o preparo, armazenamento e as vantagens e necessidades do consumo destes produtos para uma alimentação saudável e com qualidade de vida. Vale ainda registrar que estes cultivos foram feitos sem o uso de agrotóxicos.

Aloízio Nery comenta que o programa objetiva proporcionar uma melhoria da qualidade e quantidade de alimentos disponíveis, além de promover a motivação do interesse para o cultivo destes produtos com foco comercial.

Ele disse a O Norte que todos os plantios estão em curso, e que a distribuição de sementes de hortaliças e adubo para implantação de hortas beneficiou mais de 750 famílias no Projeto Jaíba, além dos Projetos das Associações.

Essa entrega de insumos e materiais também se deu com sucesso em Montes Claros, Pirapora, Porteirinha, Mato Verde e Montes Azul entre outros.

RENDA

Quando da entrega dos insumos, sementes e mudas, o secretário municipal de Agricultura de Jaíba, Adílio Teixeira comentou sobre o Minas sem fome e o quanto é possível por meio dele melhorar a renda dos produtores.

Conforme a Emater, Bernardino, gerente do Distrito de irrigação, manifestou-se sobre a importância desse programa; e acrescentou que apesar das dificuldades, o Projeto Jaíba vai caminhando no sentido de sua emancipação. Anunciou as obras que estariam em andamento como a construção das mini-estações de tratamento de água, que também proporcionarão melhoria da qualidade de vida das famílias.

Aloísio comentou que os presidentes das Associações e agricultores ficaram agradecidos ao programa e disseram que com certeza haverá melhoria da alimentação de todos. Eles aproveitaram a oportunidade para registrar a dificuldade com o crédito rural, fato que não permite um aproveitamento eficaz do lote irrigado.

DÍVIDAS

Quando esteve no Jaíba, em 2005, o ministro da Integração Nacional prometeu que iria estudar a questão das renegociações das dívidas rurais.
O BNB - Banco do Nordeste já renegociou com muitos produtores com base na lei 10.696 e 10.464, sendo que só no Jaíba o saldo devedor equivale a R$ 25.160.657,03 num total de 1.120 pequenos produtores. A assessoria de comunicação do BNB afirmou que foram renegociados cerca de R$ 16.973.264,91. Números obtidos até o dia 10 de janeiro desse ano.
- A intenção é que o Minas sem fome beneficie mais famílias com distribuição de sementes de milho e feijão - conclui, Aloízio Nery.

EPAMIG APRESENTA NOVAS VARIEDADES DE BANANA AO CONSUMIDOR

Valéria Esteves


Epamig- Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais vai ao supermercado fazer avaliação e verificar qual a aceitação do consumidor quanto às novas variedades de banana passíveis de substituir a banana prata no mercado. As variedades apresentadas ao público do supermercado Villefort em Montes Claros nessa terça-feira foram a Tropical, PA 4244 e a Thap-Maeo. Na oportunidade várias pessoas foram questionadas sobre a textura, sabor, acidez e outros requisitos encontrados nessas novas variedades que são produzidas sem o uso de agrotóxicos. A maioria dos entrevistados achou que a variedade Tropical foi a que mais se adequaria ao paladar dos consumidores e aceitariam pagar mais por um produto que preserva o meio ambiente e ainda contribui significativamente para a saúde.
A pergunta a que a Empresa de Pesquisa Agropecuária gostaria de saber é: qual das três variedades tem melhor qualidade e se o consumidor está interessado em obter um produto que não prejudica o meio ambiente ou consumir um produto que tem menor valor de mercado?- Essa indagação é do gerente da Epamig, Marco Antônio Viana Leite que informou também que essa mesma avaliação será feita em Belo Horizonte nessa quinta-feira e sexta-feira em estabelecimentos como o Carrefour, Villefort entre outros.



Nas pesquisas as pessoas estavam gostando mais da Tropical e da PA 4244 (foto: Valéria Esteves)

Para Odete Pereira de Oliveira a banana prata ainda a agrada muito, mas tendo em vista, o não uso de substâncias químicas, vale levar para casa novas variedades. E como diria o provérbio gosto todo mundo tem o seu e não foi diferente com Silvana Lopes Silva e Graiciele de Carvalho Maia. Elas experimentaram as três variedades e as opiniões foram diferentes. Silvana preferiu a PA 4244 por acreditar que nela há maior presença de doce, maciez e menor acidez. Já Graiciele preferiu a Tropical pelos mesmos motivos. Mas o que elas têm em comum é que pagariam mais caro por um produto 100% saudável.

- Economizar na compra pode acabar comprometendo minha saúde mais tarde. Então prefiro pagar mais e não pagar um preço maior ainda com problemas de saúde por causa da ingestão de agrotóxico nas bananas que costumamos comprar por aí, diz Graiciele.

Mercado

As praças compradoras da banana da região são: Rio de Janeiro, Distrito Federal, Belo Horizonte, e São Paulo; sendo que nos últimos dias a cotação da caixa chegou a custar R$ 15. Cerca de 80% do produto regional segue rumo a essas praças comercializadoras. A reclamação dos produtores é quanto ao alto custo de produção e as possíveis doenças que a bananeira pode atrair.

Conforme informações da Empresa de pesquisa agropecuária de Minas Gerais novas variedades de banana estão sendo pesquisadas e novas serão apresentadas nos próximos meses. Com está acontecendo nesse período nas grandes cidades de Minas. Problemas como a sigatoka negra, mal do panamá entre outros são constantes de pesquisa da Epamig e da Unimontes.

Além da Abanorte no Norte de Minas há outras associações espalhadas pelo interior de Minas Gerais querendo se firmar na produção de bananas. Um exemplo claro disso é a mobilização da Alfa- Frutas de Almenara, Vale do Jequitinhonha.

Em uma de nossas edições quando publicamos as ações do dia de campo da uva na Empresa de pesquisa Agropecuária relatamos o percurso de empresários e produtores rurais de Almenara que montaram uma cooperativa de crédito para plantar banana.
Vale lembrar que várias cooperativas e associações estão se estruturando para serem competitivos e encarar de frente as exigências de importação e exportação. Mesmo dentro do território nacional ainda é possível entrar e comercializar produtos como a banana, o limão, entre outras frutas, e manter-se fiel, ou pelo menos constante, em determinadas praças do Brasil.

Essa, inclusive, tem sido a estratégia dos sócios da Alfa-Frutas - Associação Comunitária dos produtores de Fruticultura Irrigada de Almenara/MG e ASPFIJE -Associação dos Produtores de Fruticultura Irrigada de Jequitinhonha. Nos último ano cerca de 35 empresários e produtores rurais vieram ao Norte de Minas saber de instituições como a Abanorte - Associação dos bananicultores do Norte de Minas Gerais, Epamig - Empresa de pesquisa agropecuária de Minas Gerais e Distrito de Irrigação do Projeto Jaíba quais são as tecnologias aplicadas à produção da bananeira na região. O grupo veio acompanhado pelo Sebrae e estava afoito para saber como funcionam as pesquisas com relação às bananeiras.

No último ano a Abanorte participou de feira na Europa, onde foi possível apresentar àquele mercado as variedades de bananas desenvolvidas pela Epamig. Na oportunidade a variedade Tropical agradou o paladar dos visitantes.

Epamig em busca de tecnologia: Biotecnologia é a nova pedida da Empresa de pesquisa agropecuária

Valéria Esteves


Com avanço na tecnologia de produção, o campo também tem sentido a falta de bons equipamentos para saber do solo, do tempo entre outros fatores climáticos, qual a melhor saída para se ter um sucesso. Essa tem sido a tarefa mais constante da Epamig- Empresa de pesquisa agropecuária no objetivo em difundir a tecnologia por meio de um laboratório de biotecnologia.

O projeto já foi encaminhado à Finep- Financiadora de estudos e projetos. Paralelo a esse objetivo a Empresa tem atuado no Consórcio do Projeto Jaíba, além de estar organizando junto com a Universidade federal de Viçosa, a segunda etapa do Agrinvest- Investimentos em agronegócios que deve acontecer no mês de agosto deste ano.

O chefe da empresa, Marco Antônio Viana Leite relata que em sua área de atuação, o Jaíba, há muitas coisas que precisam ser resolvidas. O problema segundo ele não é da ordem de agronegócio e sim social. Dados da Emater relatam que há desnutrição e fome no Jaíba, considerado o maior projeto irrigado da América Latina. Uma controvérsia ter fome num lugar onde produz toneladas de alimentos, diz Marco Antônio.

Por pensar em ajudar no desenvolvimento, o governo do estado de Minas Gerais resolveu criar o Consórcio do Jaíba na qual tratará pontualmente das pequenas demandas bem como das maiores e para isso a Epamig quer que o laboratório de biotecnologia sirva para melhorar e criar cultivares resistentes à pragas e encontrar uma solução para as plantas que não suportam tanto tempo de estiagem e de seca. A princípio pensa-se em lançar materiais que se adaptem a região.

Por enquanto a Empresa aguarda notificação do Finep para arregimentar a construção do laboratório. Quanto ao Agrinvest, o chefe da empresa comenta que a expectativa é que por meio dele possam ser firmados negócios que beneficiem e arregimentem a economia da região. No ano passado, por exemplo, a Accomontes- Associação dos criadores de ovinos e caprinos do Norte de Minas conseguiu negociar lotes de animais com o frigorífico Margem de Goiás, o que também aconteceu no setor de vitivinicultura, florestas entre outros. A proposta do evento é trazer investidores do eixo Rio de Janeiro São Paulo interessados em investir na região. No caso da Accomontes, ainda no ano passado a negociação foi a seguinte: o preço por quilo da carne ficou fixado nesta primeira instância em R$ 2,10 podendo chegar a R$ 2,80.
Houve ainda produtores que manifestaram o interesse pelo plantio de uvas depois da explanação do professor Luciano Manfroi, que também mostraram interesse pelo plantio de eucaliptos em consórcio com pastos.

PESQUISAS

A Epamig tem como carro chefe a pesquisa e por isso mesmo investiu na fruticultura, plantio de oleaginosas, bovinocultura, soja e outras pesquisas que aportam o bem desenvolver das culturas plantadas na região e em todo território estadual.
- Todos receberam nos últimos quatro anos aportes financeiros calculados em mais de R$ 4 milhões, o que resultou na superação do Pib- Produto interno bruto do agronegócio mineiro, relacionado ao ganho das outras federações do Brasil.

MORANGUEIRO

Há algum tempo a empresa vem pesquisando sobre a viabilidade de se produzir morangos com melhor qualidade e variedades diversas. Na fazenda de Mocambinho, entre as variedades plantadas, a que mais se adaptou foi a dover, mas outras foram testadas, como a tundra entre outras.
No centro tecnológico em Nova Porteirinha já foram comercializadas caixinhas de morango e segundo Marco Antônio, o grande propósito da Epamig é doar mudas para os produtores a fim de que eles comecem um plantio da fruta na região como acontece com a uva, a mamona, pinhão manso, umbu, entre outras frutas produzidas dentro da área do centro tecnológico.
- Nossa meta é beneficiar a região com o plantio de novas culturas como o morango, a uva entre outras variedades que têm, segundo nossos pesquisadores, condições climáticas e de solo para a adaptação, diz.
Pesquisas mostram que para obtenção de frutas de qualidade, um dos pré-requisitos essenciais é a utilização de mudas de alta qualidade genética e sanitária, em local de baixa potencialidade de inóculo de fungos e bactérias que sejam agressivos ao morangueiro.
Marco acrescenta que o objetivo da Epamig é produzir pesquisas que cumpram a demanda exigida pelos produtores, mesmo porque acredita que esse é o propósito a cumprir; atender os produtores.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Brasil se potencializa em exportação de sementes de hortaliça e de flores

Valéria Esteves

Produção de sementes de hortaliça cresce a cada ano no Brasil e no Norte de Minas. Segundo informações da Isla sementes, sua marca alcançou 74% das vendas da empresa no ano passado, sendo elas realizadas dentro do Brasil.
Apenas 26% das vendas foram de sementes importadas. O resultado segue a trajetória ascendente da participação de sementes de produção nacional na comparação com a importada. Nos últimos oito anos, essa relação cresceu 40%.
O número de cultivares que a Isla consegue produzir no Brasil também subiu. Em 1985, a Isla produzia 25 cultivares. Hoje, das 389 cultivares do seu catálogo, já consegue produzir no país 228.
A necessidade de importação vem diminuindo a cada ano graças ao projeto da Isla de buscar a auto-suficiência. Com esse projeto, segundo informações da assessoria de comunicação da empresa, a expectativa é de que a participação da produção nacional e o número de cultivares produzidas no país continuem crescendo. Só devem continuar sendo importadas algumas sementes que, para serem produzidas, necessitam de certas condições climáticas não encontradas no Brasil . É o caso de algumas flores que precisam de frio intenso durante um longo período para que produzam sementes.

O Brasil tem conseguido exportar flores assim como as hortaliças, os temperos de cheiro entre outros.


EM JAÍBA

Os pequenos produtores do Projeto Jaíba, alguns já com o plantio de culturas como alface, jiló, abóbora, pepino, entre outros, em andamento, se mostram satisfeitos com os resultados, sendo que os mesmos acreditam que a produção de sementes tem sido responsável pelos melhores números alcançados e isso se deve a variação de culturas.Vários produtores, como Valdeon Rodrigues, Isaac Martins e Ivo Rodrigues, entre tantos outros dizem ter gostado de experimentar firmar o contrato com empresas de sementes, mesmo porque eles entram com a mão-de-obra e o pagamento da água e da luz gastos na manutenção da lavoura. Em contrapartida a empresa entra com as sementes e os insumos agrícolas. Ao final as sementes passam por um processo de seleção em que só os melhores grãos são escolhidos. Por um lado, a empresa conta com o empenho e a responsabilidade do trabalho familiar. As famílias, por sua vez, recebem toda assistência técnica necessária em todas as fases da produção. A diretora da Isla, Diana Werner, diz que o cultivo de sementes de hortaliças e flores é uma ótima alternativa de renda. - Quando bem executada, a atividade pode render uma receita extra à família ou, em alguns casos, até tornar-se a fonte principal de renda – ressalta.





Ela acredita que a parceria tem tudo para dar certo e que, a partir desse ano, o novo pólo de produção da Isla esteja concretizado em Júlio de Castilhos, Rio Grande do Sul. A última safra aconteceu ainda no mês de março a início de abril. Nos meses seguintes ao período de safra, a empresa bem como as outras que atuam no seguimento e mantém contrato com os agricultores, avaliam o comportamento, a adaptação e a produtividade das cultivares. Se o resultado for positivo, poderá estabelecer um contrato diretamente com os agricultores a partir da safra 2006/07. Nesse caso, haverá ampliação do número de cultivares e das famílias agricultoras, que trabalharão como cooperantes.

Biodiesel: agricultores devem se unir para serem beneficiados pelo selo social

Valéria Esteves

Algumas empresas estão apostando em lançar no mercado produtos que atendam a agricultura familiar. Na Semana do Produtor que acontece até o dia 25, sexta-feira, empresários resolveram trazer um produto que pode ser adquirido por associações ou cooperativas.
Para o empresário Antônio Carlos Reinholz da Scott Tech Brasil, empresa de Vinhedo, São Paulo, a semana do produtor é também oportunidade de produtor, classe acadêmica e demais agentes da cadeia produtiva do agronegócio conhecerem o que tem de novo no mercado que favoreça desde o pequeno ao grande produtor.
Em um dos stands, que por sinal tem atraído a atenção de quem visita a Semana, a máquina de extração de óleo tem dado o que falar. A máquina é capaz de extrair o óleo e ainda aproveitar a torta para ração animal.
- Nesse caso o produtor vai agregar valor ao produto com baixo investimento e, ainda, ele não venderá a matéria-prima para vender produto tecnológico sem precisar capacitar mão-de-obra. A máquina é muito fácil de manusear, daí a facilidade, explica Antônio Reinholz.


Esmagadoras de oleaginosas atraem público
na 18ª Semana do Produtor

Na verdade, a máquina que é uma prensa de extração de óleo vegetal pode agregar valor e gerar renda às famílias agricultoras. Como a posição do governo federal é favorecer a agricultura familiar com a produção de biodiesel, as cooperativas vão precisar montar ou estarem vinculados de alguma maneira a uma esmagadora das oleaginosas. Há projetos que visam a construção de mini-esmagadoras no Norte de Minas, o que pode facilitar a vida de muitos produtores.
A máquina que extrai óleo custa cerca de R$ 22 mil, sendo que processa até 60 quilos por hora. A empresa ainda dispõe de outros maquinários que atendem a necessidade de quem precisa processar até 2,500 quilos por hora, o custo é um pouco maior, R$ 300 mil.
COOPERATIVAS
Segundo informações do governo, a formação de cooperativas é fundamental para que os agricultores se mobilizem e formem associações e cooperativas. As esmagadoras vão funcionar justamente para aproveitar a torta das oleaginosas e isso pode significar ganho já que o óleo será comercializado com a Petrobras.
Na edição de ontem, nossa reportagem falou de como acontecerá a inclusão social dentro da cadeia produtiva do biodiesel. Na entrevista com a coordenadora de biocombustíveis do ministério do Desenvolvimento Agrário, Edna de Cássia Carmelo e com o gerente de implantação do projeto de biodiesel em Montes Claros, Júlio Cezar Monteiro Lopes ficou perceptível que a hora é de não perder o calendário agrícola da região. Edna ainda falou de toda a cadeia produtiva se mobilizar para preparar as áreas para o plantio e agilizar o processo como aconteceu na Bahia e no Ceará.
Júlio Cezar ainda conta que a Petrobras acredita que a exemplo do que já acontece com a Petrovasf e os agricultores em Itacarambi no processo de compra e venda da mamona, deve acontecer com a estatal na região. Há três anos a Petrovasf trabalha processando o óleo da mamona em Itacarambi e tem dado certo. Lá a empresa paga cerca de R$ 0,56 pelo quilo do grão sendo que a previsão da estatal é que se pague pelo menos R$0,60 pelo quilo do grão da mamona para processar biodiesel na usina.
Nessa safra de 2006/07 a Petrobras assumiu a posição de comprar os grãos dos estados do Ceará e da Bahia, mas a proposta da estatal é comprar apenas óleo em 2008; conforme informou o gerente.
Com essa possibilidade, os produtores realmente devem se ater a fortalecer suas bases para serem beneficiados com o selo social do biodiesel

Consumo de carne será destaque no Agrinvest: informações de ponta vão incrementar a segunda etapa de evento que ganhou espaço na região

Valéria Esteves

Bovinocultura de ponta, biodiesel, gestão de florestas e fruticultura serão temas de debates do II Agrinvest - Investimentos em agronegócios. Tendo como organizadores a Epamig - Empresa de pesquisa agropecuária e a universidade federal de Viçosa, a programação prevê a apresentação de workshops quando serão detalhados os temas a serem defendidos nos dois dias evento. Nesse ano, o Agrinvest ou Seminário de negociações estratégicas acontece nos dias 31 de agosto e primeiro de setembro.


Mercado brasileiro da carne pode voltar a faturar se a União Européia
retirar embargos (foto: Wilson Medeiros)


O consultor alemão, Klaus Trader vai defender o tema bovinocultura e mostrar as estratégias de mercado externo entre outros vários impulsores de melhoria da carne. Leandro Bovo, gerente administrativo do Sic - Serviço de informação da carne também deve defender o mercado da carne. Ele, que participou da primeira etapa do Agrinvest, no ano passado, apresentará dados novos sobre a expansão do mercado, apesar de a crise da febre aftosa ter balançado o setor devido aos embargos concedidos pelos países consumidores do produto.

CONFERÊNCIA

Até o dia 17 deste mês, próxima segunda-feira, a União Européia, principal importador de carne bovina do Brasil visita os frigoríficos brasileiros. A visita que se dará em 4 estados: Mato Grosso, Goiás, Paraná e São Paulo, vai avaliar as condições sanitárias do rebanho brasileiro. Em Goiás e Mato Grosso eles verificarão o trabalho dos grupos responsáveis pela inspeção e saúde pública. Vinte e cinco países da UE suspenderam as importações de carne bovina fornecida pelo Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná e, agora, querem se certificar se o surto da febre aftosa passou.
A tendência é que os embargos sejam retirados, e assim, as expectativas quanto ao crescimento das exportações da carne bovina devem acontecer.
No último semestre de 2005, o setor de exportações de carne registrou cerca de 1,42 bilhão de dólares, 31% a mais que o total de 1,08 bilhão dos primeiros seis meses do ano passado.
Leandro Bovo acredita que é preciso que o próprio pecuarista valorize mais o seu produto.
- A primeira coisa é esquecermos esse dito: carne de primeira e carne de segunda. Não existe isso, pelo contrário, isso é uma forma de desvalorizar o produto. O certo é colocar para o consumidor que existe carne da parte dianteira e traseira do boi.

COMER FAZ BEM

Durante sua palestra em 2005, no evento, Leandro Bovo falou ainda dos mitos referentes ao consumo da carne como, por exemplo: a carne faz o homem ficar nervoso. Sobre os mitos ele lembra que o cardiologista e nutrólogo, Daniel Magnoni do Incor - Instituto do Coração, e membro do Sic reforça que, ao contrário do que muitos pensam, a carne não é a vilã da alimentação saudável, nem o principal carregador da gordura saturada, que faz mal ao coração.
- A carne bovina é uma fonte rica em proteína, um dos componentes principais de uma dieta balanceada. O que temos que fazer é o mar-keting do nosso produto, já que ele é tão consumido dentro e fora do Brasil - diz.
Para os organizadores o desafio em se realizar um evento como o Agrinvest é criar e impulsionar a criação de ambientes de negócios para promover o desenvolvimento do setor econômico do Norte de Minas.
Nos dois dias de evento, os participantes terão acesso a novas técnicas, esclarecendo dúvidas com os profissionais já inseridos no mercado, caso experimentado por grandes frigoríficos e por exportadores de frutas que estarão presentes e falando do que é preciso para atender à demanda de mercado de cada produto.

Apoio à pesquisa: BNB só vai liberar linhas de crédito para a produção de oleaginosas depois de do aval da Epamig

Valéria Esteves

A pesquisa deve vir à frente da produção no campo, diz, Marco Antônio Viana Leite, chefe do Centro tecnológico da Epamig/Norte de Minas. A intenção das pesquisas da Epamig, conforme relata Marco Antônio, é justamente atender as demandas dos produtores. Como eles fazem copiando os seus vizinhos de propriedade quando a produção do mesmo deu certo, mas de uma maneira embasada, explica.
Com vistas à ascensão da bioenergia no Norte de Minas e especialmente no Projeto Jaíba, os órgãos de pesquisa têm se antenado para apostar na matriz energética que melhor renda dará ao produtor rural.



Há que se lembrar que alguns produtores já têm uma quantidade significativa de hectares de pinhão manso e mamona em suas propriedades. Para a Petrobras, essa iniciativa é prova de que, pelo menos com a produção de mamona, será possível se engrenar uma viabilidade econômica de produção para agricultura familiar.
O Banco do Nordeste, segundo o superintendente Nilo Meira, só vai liberar linhas de crédito a partir do momento em que a Epamig anunciar qual a matriz energética que oferece segurança para se investir.
- O banco financia inclusive as pesquisas da Epamig, que vão dizer em qual oleaginosa o banco deve apostar, para liberar crédito - diz.
Todos os anos o BNB, por meio do Fundeci- Fundo de Desenvolvimento científico e tecnológico, apóia projetos de pesquisa em toda sua área de atuação. Em Minas Gerais, conforme comunicou a assessoria do banco, entidades de pesquisa, como as universidades e a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais sempre têm seus projetos aprovados e custeados em parte pelo Fundeci.
- Desde 1971, com a criação do Fundeci, o BNB vem apoiando a realização de pesquisas tecnológicas e a difusão de seus resultados. Ciente da importância dessas atividades para o desenvolvimento regional e para a sustentabilidade dos empreendimentos financiados, o banco já apoiou 1.411 projetos, injetando cerca de R$ 194,5 milhões em toda a região, afirma o BNB.
O banco recebeu 326 propostas de projetos que concorrerão aos recursos do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, que destinará R$ 3,6 milhões não-reembolsáveis a iniciativas de pesquisa e difusão tecnológica na área de atuação do banco.

ADESÃO AO FUNDECI

A apresentação das propostas para os cinco avisos lançados pelo BNB foi realizada no período de 25 de junho a 13 de agosto desse ano, gerando uma demanda de recursos da ordem de R$ 20 milhões.
Conforme a assessoria de comunicação do banco, o setor de agroenergia foi o maior demandador de propostas (96 projetos e R$ 6,5 milhões em demanda), seguido de agricultura familiar e convivência com o semi-árido (92 e R$ 5,7 milhões), ovinocaprinocultura (76 e R$ 3,9 milhões), grãos (34 e R$ 2,1 milhões) e apicultura (28 e R$ 1,6 milhão).
De acordo com o edital, o Banco disponibilizará R$ 3,6 milhões para apoio a projetos de P&D relacionados às áreas de agroenergia (R$ 1 milhão), produção de grãos (R$ 800 mil), apicultura (R$ 400 mil), ovinocaprinocultura (R$ 600 mil), e agricultura familiar e de convivência com o semi-árido (R$ 800 mil).
Os recursos são provenientes do Fundeci, administrado pelo Etene- Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste. Os projetos inscritos serão agora submetidos a uma pré-seleção, seguindo os critérios adotados nos respectivos editais. A divulgação do resultado da pré-seleção, para os cinco Avisos, se dará até o dia 14 de setembro de 2007.
O foco dos projetos é o desenvolvimento da área de atuação do BNB, e tem evoluído no incentivo da participação do setor produtivo e de todas as parcerias que otimizem a utilização dos recursos disponíveis. Busca-se, assim, a valorização de pesquisas e difusão de tecnologias inovadoras que tenham reconhecida importância para o aproveitamento das potencialidades regionais e o incremento da sustentabilidade dos empreendimentos, conclui a assessoria da superintendência.

EMBRAPA MAIS ATUANTE NA REGIÃO

Embrapa/Milho e Sorgo - Empresa brasileira de pesquisa agropecuária passa a atuar mais no Norte de Minas. Desde essa quarta-feira, os pesquisadores da Empresa participam, em Janaúba e Nova Porteirinha, do I Simpósio de Pesquisa em Ciências Agrárias no Semi-Árido Mineiro.
O objetivo é divulgar os resultados de pesquisas realizadas em universidades da região e promover a integração dos profissionais que atuam no meio rural.
Segundo informou a assessoria da Embrapa, o pesquisador Ricardo Augusto Lopes Brito falou ontem sobre o tema Disponibilidade e produtividade da água: desafio para o século XXI. O Semi-Árido sofre com problemas de concentração de chuvas em determinados períodos do ano, o que leva a população a conviver com períodos de seca que comprometem a produção agropecuária. Saber utilizar e conservar a água, portanto, é uma estratégia que deve ser adotada pelos moradores da região.
O simpósio é uma promoção de três universidades públicas que atuam na região: a Unimontes - Universidade Estadual de Montes Claros, que mantém um campus em Janaúba; A UFMG-Universidade Federal de Minas Gerais, que tem seu Núcleo de Ciências Agrárias no Norte mineiro; e a UFVJM -Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Além da Embrapa Milho e Sorgo, a Embrapa Semi-Árido (Petrolina-PE) participará do evento com duas palestras.
Mas os pesquisadores da Embrapa ainda continuam no Norte de Minas até o próximo dia 31. Fredolino Giacomini dos Santos e José Avelino Santos Rodrigues participarão do Encontro Técnico das Culturas da Cana e do Sorgo. O evento será na Fazenda Experimental da Epamig- Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais em Jaíba. Os pesquisadores da Embrapa discutirão as tecnologias de produção de silagem de sorgo com alta qualidade. Haverá uma palestra sobre o assunto e, logo depois, Fredolino será um dos debatedores do tema junto com representantes da Unimontes e da Epamig; José Avelino será o moderador da discussão.
- A cultura do sorgo é uma das que mais se adaptam às características naturais do norte mineiro. Mais resistente do que outras culturas agrícolas quanto à falta de água no solo, o sorgo tem grande potencial de desenvolvimento na região. Em parceria com diversas instituições públicas e privadas, a Embrapa vem incentivando a cultura do sorgo no Norte do estado. A empresa, em seu programa de melhoramento genético, já desenvolveu cultivares de sorgo que se adaptam bem ao semi-árido, não só mineiro, como também da região Nordeste do país - conclui a Embrapa.
A realização do encontro técnico em Jaíba é da Epamig.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Impacto da bananicultura é tema de palestra: Agro-NM realiza mais um ciclo de palestras envolvendo a cadeia de agronegócios



Valéria Esteves



Agro- NM- Associação dos engenheiros agrônomos do Norte de Minas vai ministrar palestras que envolvem temas pertinentes a cadeia do agronegócio. Esse é o sexto ano em que acontece o ciclo de palestras e a expectativa é que o público participante da expomontes compareça.

As palestras vão se realizar no próximo dia 6 de julho, no auditório da sociedade rural de Montes Claros. Os temas, conforme Fernando Britto, presidente da Agro-NM, a serem defendidos variam desde o impacto do aumento da área explorada com a banana prata nos preços e na renda da bananicultura do Norte de Minas ao tema o bioma da seca.

Vale lembrar, diz Fernando, que todos os temas são de fundamental importância para o desenvolvimento sustentável da região. A previsão é que os debates sejam abertos às 8h30m, no auditório do parque de exposições, pelo agrônomo e coordenador do Departamento de economia da Universidade Federal de Viçosa, Aziz Galvão da Silva Júnior que falará sobre a banananicultura. O bioma da mata seca, é o tema defendido pelo engenheiro florestal, João Paulo Sarmento, presidente da Sociedade mineira dos engenheiros florestais e assessor da diretoria do Instituto Estadual de Florestas, Juvenal Mendes de Oliveira, consultor da Sociedade e do Sindicato Rural de Montes Claros; e o secretário da Faemg-Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais, Marcos Abreu e Silva.

A partir das 14 horas o ciclo de palestras terá continuidade com a realização do painel enfocando o tema Programa Nacional de Biodiesel. A engenheira de alimentos do ministério do Desenvolvimento Agrário, Edna de Cássia Carmélio falará sobre Biodiesel como propósito de Inclusão Social; José Carlos Miragaya, técnico da Petrobrás fará apresentação da planta de biodiesel que será construída em Montes Claros e Luiz Eduardo Dumont, representante da Conab- Companhia Nacional de Abastecimento, ministrará palestra sobre oleaginosas para a produção de biodiesel.

O VI ciclo de palestras será encerrado a partir das 16h30m com a realização do painel - Valorização da Qualidade no Abate de Bovinos. A gerente de marketing do Frigorífico Independência Alimentos Ltda., Carolina Porto Paes Barreto falará sobre a - Gestão de um Frigorífico. Em seguida a zootecnista Letícia Zoppa, coordenadora do Serviço de Atendimento ao Pecuarista do Frigorífico Independência fará apresentação do “Serviço de atendimento ao pecuarista e seus programas

OBJETIVOS

Fernando comenta que o evento tem o objetivo de disponibilizar informações atuais aos produtores rurais, aos técnicos, professores e estudantes universitários especialmente os de ciências agrárias e aos profissionais que atuam na área da produção agropecuária em geral.

- Os temas selecionados serão expostos por especialistas nos assuntos em forma de palestras, compondo três painéis temáticos, sendo que, ao final de cada painel, acontecerão os debates possibilitando maior interação entre os participantes e os expositores, diz.

As inscrições gratuitas poderão ser feitas na Sociedade Rural de Montes Claros, praça Lindolfo Laughton,1373-Alto São João, Montes Claros, telefone 38 3215.1212); ou durante a EXPOMONTES 2006 nos stands da Codevasf/1ªSR e da Emater/MG, no parque de exposições; ou pelo e-mail agro_nm@yahoo.com.br; ou pelo telefone (38) 9976.6777.

Epamig firma parceria enviando mudas de morangueiro para a Angola

valéria Esteves


Mudas de morango agora vão para Angola na África. Por terem qualidade genética apropriada para regiões de clima quente cerca de 100 mil mudas de morangueiros da Epamig - Empresa de pesquisa agropecuária de Minas Gerais vão seguir viagem. Nessa semana já foram mandadas 30 mil mudas.
Mudas de morango estão sendo comercializadas no centro tecnológico da Epamig
(foto: divulgação)
O governo Angolano quer estruturar a agricultura de seu país e por meio de consultores brasileiros, ou melhor, dizendo, norte-mineiros estão levando algumas culturas para lá, caso do morangueiro. Por ser um país marcado por intensas guerras no passado, o setor agrícola é deficiente daí o surgimento da parceria da empresa de pesquisa agropecuária para garantir a expansão do plantio de morangos.
Para Marco Antônio, chefe da Empresa, a parceria com a Angola bem como com os produtores significa avanço no trabalho realizado pela empresa que lida diretamente com a pesquisa como ator principal do sucesso das culturas plantadas na região. Nos testes realizados pelos pesquisadores, o uso de agrotóxico foi praticamente tirado da produção, mesmo porque a intenção é produzir um morango orgânico.
No centro tecnológico em Nova Porteirinha, conforme o gerente Josimar dos Santos Araújo já estão sendo comercializadas mudas a R$ 0,05 para o agricultor familiar e a R$ 0,10 para o grande produtor. Segundo Marco Antônio, o grande propósito da empresa, é comercializar mudas com os produtores ao um preço de custo, a fim de que eles comecem um plantio da fruta na região como acontece como a uva, a mamona, pinhão manso, umbu, entre outras frutas produzidas dentro da área do centro tecnológico.
- Nossa meta é beneficiar a região com o plantio de novas culturas como o morango, a uva entre outras variedades que têm segundo os nossos pesquisadores, condições climáticas e de solo para a adaptação, diz.
As três variedades Dover, Sweet Charlie e a Oso Grande foram as que mais se adaptaram ao solo e ao clima da região, sendo que no centro tecnológico outras 500 mil mudas já estão quase prontas para o plantio. O ciclo de produção começa em abril, sendo que o período de safra acontece de julho a dezembro.

TESTES

Outras variedades foram testadas como a tundra entre outras. Esse tipo de cultura necessita de sol e pouca umidade e solo silicoso, rico em matéria orgânica. Se multiplica através de moda vegetativa pela divisão de estolhos que nascem ao redor da planta mãe.
Há algum tempo a empresa de pesquisa agropecuária vem pesquisando sobre a viabilidade de se produzir morangos com melhor qualidade e variedades diversas. Na fazenda de Mocambinho entre as variedades plantadas a que mais se adaptou foi a, dover.
Pesquisas mostram que para obtenção de frutas de qualidade, um dos pré-requisitos essenciais é a utilização de mudas de alta qualidade genética e sanitária, em local de baixa potencialidade de inóculo de fungos e bactérias que sejam agressivos ao morangueiro. Na produção de mudas de morangueiro, há necessidade de aquisição de plantas matrizes, oriundas de cultura de tecidos vegetais, das variedades que interessa produzir.

LOCAL

Antes do plantio das matrizes, deve-se escolher o local mais apropriado. O solo deve ser corrigido e adubado, de acordo com a análise, incorporando-se o corretivo e melhorando as condições físicas do solo para um maior enraizamento e multiplicação dos estolhos. O plantio deve ser realizado de setembro a novembro, para que as mudas estejam disponíveis de abril a maio, dependendo da região produtora.
De preferência, deve-se plantar as matrizes em terrenos que não foram cultivados com morangueiro e solanáceas.
O espaçamento mais utilizado para plantio das matrizes é o de 2 m x 1m ou 2m x 2m, sendo usadas de 2500 a 5000 matrizes por hectare, com potencial de produção de 1.000.000 de mudas. Para cada muda plantada, deve-se adicionar cerca de 3 kg de esterco bovino curtido e 100 gramas de superfosfato simples, por coveta.
Adquiridas as matrizes, deve-se plantá-las em dias frescos. Após o término da operação, é recomendado uma irrigação abundante. De acordo com a necessidade, faz-se a manutenção da umidade do solo com irrigações periódicas.
O controle de plantas invasoras é fundamental durante a produção de estolhos e multiplicação das mudas, evitando-se a concorrência por nutrientes e dificuldades quando da retirada posterior das mudas.
Quando as mudas forem arrancadas, deve ser efetuada uma limpeza - toillete, aparando as folhas e reduzindo um pouco o sistema radicular, se for o caso. As mudas devem ser padronizadas quanto ao diâmetro da coroa, uma vez que a operação de plantio será facilitada, melhorará o estande e uniformizará a colheita.
Esses dados conferem o plantio de morangos a campo de acordo com Marco Antônio.

Biodiesel: Selo social vai garantir competitividade do mercado

Valéria Esteves



Ciclo de palestras discute produção de cana-de-açúcar e biodiesel. O cenário da formação da cadeia produtiva do biodiesel está aos poucos se definindo, mas como afirmou Alysson Paulinelli, ex-ministro da Agricultura, os produtores não podem esperar o governo estruturar a cadeia, senão o projeto nunca vai acontecer.
- Precisamos ter modelos novos de produção para regulamentar o passeio tanto do álcool quanto do biodiesel. Precisamos ainda ter primeiro um produto de qualidade para que o governo estabeleça regras de um padrão de qualidade e que o produto tenha livre passagem por todo o Brasil – prosseguiu Paulinelli, alertando os produtores sobre a abertura de muitas usinas de cana-de-açúcar no Brasil:
- Daqui a pouco, nós teremos gigolô da cana-de-açúcar, assim como disse Alexandre Vianna, presidente da Sociedade Rural, quando afirma que já tem gigolô de gado. Não temos capital para segurar essas mais de 200 usinas que foram abertas no Brasil, apesar de o BNDS - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, ser generoso e liberar algum capital pra elas. O que precisamos é nos organizar para fazer um seguro de performance para dar segurança a empresas de capital que quer investir no País – aconselhou o ex-ministro.



A usina da Petrobras em Moc será inaugurada no próximo dia 15 de agosto
(foto: Manoel Freitas)


Para Paulinelli, há com certeza probabilidade de a cadeia produtiva do biodiesel dar certo no Norte de Minas e ela está começando justamente como começou a do Etanol em 1975. Agora, para ela dar certo, é preciso de duas coisas: vontade governamental para acertar essas diferenças de custos iniciais, e um grande trabalho de conhecimento em ciência e tecnologia para que se aproveitem os recursos naturais disponíveis. Uma prova disso é que temos várias espécies de oleaginosas a serem estudadas no Brasil, como o dendê e as palmáceas, entre outras que não têm pesquisa.
Quanto aos agricultores familiares, o ex-ministro foi enfático ao dizer que eles precisam se organizar para que seus produtos ou seja extraídos por eles mesmos em extratores menores, ou então que se tenha um extrator regional para dar condição. Agindo isoladamente, eles não vão conseguir chegar a nenhum lugar, salientou o ex-ministro.
Na oportunidade, foi informado que o DNOCS- Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, vai montar cerca de 20 esmagadoras para dar suporte ao produtor rural da região.

EM BUSCA DE SOLUÇÕES

Segundo informações do vice-presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Norte de Minas, Reinaldo Nunes, o ciclo de palestras tem o objetivo de apresentar para o público os problemas vigentes no setor do agronegócio, como é o caso do biodiesel que não está com os arranjos produtivos definidos. Dentro do evento, as quatro empresas que vão montar usinas na região, Petrobras, Petrovasf, Ale e Sada Energética, apresentaram seus projetos especificando os possíveis preços a serem pagos pelo óleo. Por enquanto há muita especulação de preços. Nada realmente definido, conforme a Petrobras, mas o preço deve girar em torno de R$ 0,60 por litro. A Petrovasf, que já compra do produtor o óleo da mamona em Itacarambi, paga uma média de R$ 0,56.
Vale lembrar que as empresas vão precisar dos agricultores familiares por causa do selo social que garante competitividade ao produto no mercado. Conforme o consultor da Sada Energética, Antônio Machado de Carvalho, devido à burocracia nos órgãos do sistema ambiental de Minas Gerais, o estado corre o risco de perder grandes investimentos empresariais voltados para a produção de álcool e de biodiesel. Até o ano 2010, o consultor revelou que estão previstos R$ 3,5 bilhões de investimentos na implantação de novas usinas de álcool e de biodiesel no estado, mas se os entraves nos órgãos do setor ambiental continuarem predominando, Minas Gerais corre o risco de perder empresas para outras regiões do país.

PRODUÇÃO DE CANA

Quanto à produção de cana, a Sada investiu cerca de R$ 100 milhões e terá capacidade para esmagar dois milhões de toneladas de cana por ano. Mas pelo fato da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Feam - Fundação Estadual do Meio Ambiente não terem técnicos suficientes para analisar os projetos de impacto ambiental previstos para empreendimentos em todo o estado, mesmo contando com uma área própria superior a sete mil hectares para o cultivo de cana-de-açúcar, a Sada Energética só tem plantados atualmente 65 hectares.
As instituições financeiras Banco do Nordeste e Banco do Brasil dizem que só vão liberar recursos para os produtores depois que houver definição da matriz energética a vigorar na região. O BNB, de acordo com o superintendente Nilo Meira, está patrocinando pesquisas da empresa de pesquisa agropecuária de Minas Gerais justamente para ter em mãos um documento que ateste que é seguro investir em mamona, pinhão-manso ou quaisquer que sejam as oleaginosas eleitas para o plantio na agricultura familiar.

Biodiesel: agricultores devem se unir para serem beneficiados pelo selo social

Valéria Esteves



Algumas empresas estão apostando em lançar no mercado produtos que atendam a agricultura familiar. Na Semana do Produtor que acontece até o dia 25, sexta-feira, empresários resolveram trazer um produto que pode ser adquirido por associações ou cooperativas.
Para o empresário Antônio Carlos Reinholz da Scott Tech Brasil, empresa de Vinhedo, São Paulo, a semana do produtor é também oportunidade de produtor, classe acadêmica e demais agentes da cadeia produtiva do agronegócio conhecerem o que tem de novo no mercado que favoreça desde o pequeno ao grande produtor.
Em um dos stands, que por sinal tem atraído a atenção de quem visita a Semana, a máquina de extração de óleo tem dado o que falar. A máquina é capaz de extrair o óleo e ainda aproveitar a torta para ração animal.
- Nesse caso o produtor vai agregar valor ao produto com baixo investimento e, ainda, ele não venderá a matéria-prima para vender produto tecnológico sem precisar capacitar mão-de-obra. A máquina é muito fácil de manusear, daí a facilidade, explica Antônio Reinholz.

Esmagadoras de oleaginosas atraem público
na 18ª Semana do Produtor
Na verdade, a máquina que é uma prensa de extração de óleo vegetal pode agregar valor e gerar renda às famílias agricultoras. Como a posição do governo federal é favorecer a agricultura familiar com a produção de biodiesel, as cooperativas vão precisar montar ou estarem vinculados de alguma maneira a uma esmagadora das oleaginosas. Há projetos que visam a construção de mini-esmagadoras no Norte de Minas, o que pode facilitar a vida de muitos produtores.
A máquina que extrai óleo custa cerca de R$ 22 mil, sendo que processa até 60 quilos por hora. A empresa ainda dispõe de outros maquinários que atendem a necessidade de quem precisa processar até 2,500 quilos por hora, o custo é um pouco maior, R$ 300 mil.

COOPERATIVAS

Segundo informações do governo, a formação de cooperativas é fundamental para que os agricultores se mobilizem e formem associações e cooperativas. As esmagadoras vão funcionar justamente para aproveitar a torta das oleaginosas e isso pode significar ganho já que o óleo será comercializado com a Petrobras.
Na edição de ontem, nossa reportagem falou de como acontecerá a inclusão social dentro da cadeia produtiva do biodiesel. Na entrevista com a coordenadora de biocombustíveis do ministério do Desenvolvimento Agrário, Edna de Cássia Carmelo e com o gerente de implantação do projeto de biodiesel em Montes Claros, Júlio Cezar Monteiro Lopes ficou perceptível que a hora é de não perder o calendário agrícola da região. Edna ainda falou de toda a cadeia produtiva se mobilizar para preparar as áreas para o plantio e agilizar o processo como aconteceu na Bahia e no Ceará.
Júlio Cezar ainda conta que a Petrobras acredita que a exemplo do que já acontece com a Petrovasf e os agricultores em Itacarambi no processo de compra e venda da mamona, deve acontecer com a estatal na região. Há três anos a Petrovasf trabalha processando o óleo da mamona em Itacarambi e tem dado certo. Lá a empresa paga cerca de R$ 0,56 pelo quilo do grão sendo que a previsão da estatal é que se pague pelo menos R$0,60 pelo quilo do grão da mamona para processar biodiesel na usina.
Nessa safra de 2006/07 a Petrobras assumiu a posição de comprar os grãos dos estados do Ceará e da Bahia, mas a proposta da estatal é comprar apenas óleo em 2008; conforme informou o gerente.
Com essa possibilidade, os produtores realmente devem se ater a fortalecer suas bases para serem beneficiados com o selo social do biodiesel.

Produção de café: maior volume de produção estimula cotação

Valéria Esteves


Os cafeicultores brasileiros comercializaram 83% da safra 2007/2008 até o final de fevereiro, segundo levantamento feito pela consultoria Safras & Mercado. O ritmo de negociação está mais acelerado que no mesmo período do ciclo passado, quando 72% do total tinham sido escoados. A Safras estima que a colheita de café deve ficar em 37,1 milhões de sacas de 60 quilos. Os números estão acima dos volumes projetados pela Conab- Companhia Nacional de Abastecimento, de 33,7 milhões de sacas.

No mês de fevereiro, as negociações ganharam maior ritmo, com a forte movimentação dos produtores para fixar os preços. A recuperação das cotações do grão na Bolsa de Nova Iorque estimulou essas operações. A menor oferta, por conta da bianualidade da safra, também colaborou para o maior escoamento da produção de café. Entre janeiro e fevereiro, o volume de exportações também foi aquecido, o que justifica o maior escoamento da produção.
A ABIC- Associação Brasileira da Indústria do Café aponta que o consumo interno aumenta desde a década de 90, passando de 8.2 milhões para 16.9 milhões de sacas do grão. Otimista, a ABIC espera que esse número evolua ainda mais durante esse ano e atinja o patamar de 17.4 milhões de sacas.
Enraizado na cultura brasileira, o café é uma referência da agricultura nacional, e tem alcançado reconhecimento internacional também, fato que fica comprovado quando o Brasil se apresenta como o maior produtor mundial, atingindo 30% do mercado.
Para especialistas o café é uma bebida que proporciona momentos de interação entre as pessoas e, muitas vezes, é a única hora do dia em que se pode deixar os afazeres de lado e ter uma boa conversa com os amigos.
No entanto, no que diz respeito à qualidade do produto final, os fatores influenciadores são muitos, como: tipo do solo, quantidade de chuva durante o ano, altura em que se encontra a plantação e o tipo de produção. Um fato interessante é que os produtores orgânicos sempre estão presentes entre os finalistas dos concursos que dão prêmios para os grãos que proporcionam os melhores sabores.

CONHECENDO O GRÃO

Uma curiosidade sobre o mundo dos sabores está ligada à mudança dos costumes de consumo entre diferentes regiões. Muitas vezes, um café tipo exportação, com prêmios internacionais de qualidade, não agrada a determinado público. Uma das variedades dos grãos é conhecida como Arábica e tem características como: corpo, aroma, acidez e sabor residual. Em relação a isso, alguns cafés proporcionam o chamado after taste, aquele sabor que permanece na boca depois de se saborear alguma bebida, o qual pode ser intenso, suave ou adocicado, por exemplo.
O gostinho do café presente nas xícaras do mundo todo começa a ser criado ainda na lavoura, por isso a recomendação da ABIC é que os agricultores se preocupem com os produtos que vão utilizar na hora de cuidar da água sua plantação.
Um produto que surge como um aliado, tanto para aqueles que praticam a agricultura convencional como para os que praticam a agricultura orgânica, é o dióxido de cloro. Nesse sentido, conforme Antônio Luis Bernini, consultor da ABIC, o Tecsa-Clor, produto comercializado pela Serquímico, destaca-se como o único que apresenta o composto estabilizado a 5%.
- Apresenta uma alta eficácia fungicida e bactericida e é reconhecido por órgãos que atestam sua característica orgânica, tanto no Brasil como no exterior. Além disso, o custo/benefício, quando analisado o processo global da produção, é positivo, conclui.

Banana prata com boa cotação no mercado

Valéria Esteves


Bananicultura nos tempos áureos. Há algum tempo os perímetros irrigados do Jaíba e do Gorutuba demonstram que produzir banana tem sido uma das atividades mais presentes na vida do produtor rural da região.
Alguns especialistas acreditam que se o homem do campo tivesse acesso aos mercados seria mais fácil ter maior renda, já que os negócios seriam feitos por quem plantou. Mas a Abanorte- Associação dos fruticultores do Norte de Minas acredita que a existência de atravessadores ou compradores de banana são a válvula propulsora das vendas na região. Só na região há pelo menos cerca de 30 compradores de banana, sendo a variedade prata anã, a mais plantada, oito mil hectares.






Conforme a abanorte já existiu aqui no Norte de Minas mais de 100 intermediários na comercialização da banana. Atualmente, a região conta com a organização dos intermediários, através da Associação dos Compradores de Frutas do Norte de Minas - FRUCOM, fundada em 2001, e que assumiu nova diretoria em fevereiro/2008.
Os objetivos da Associação dos Compradores são a melhoria da comunicação entre os produtores e compradores, evitar a duplicidade de cargas através de bolsa de frutas evitando pressão sobre os preços da banana, a melhorar das informações disseminadas sobre o mercado, profissionalização do comprador entre outros benefícios para a classe.

OUTRAS VARIEDADES

Há algumas semanas a Epamig- Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais resolveu apresentar para a sociedade como cunho de pesquisa novas variedades de banana, a Tropical, PA 4244 e a Thap-Maeo. No geral a que mais caiu nas graças do público foi a Tropical.
A intenção era ir até os supermercados e fazer avaliação e verificar qual a aceitação do consumidor quanto às novas variedades de banana passíveis de substituir a banana prata no mercado. Na oportunidade várias pessoas foram questionadas sobre a textura, sabor, acidez e outros requisitos encontrados nessas novas variedades que são produzidas sem o uso de agrotóxicos. A maioria dos entrevistados achou que a variedade Tropical foi a que mais se adequaria ao paladar dos consumidores e aceitariam pagar mais por um produto que preserva o meio ambiente e ainda contribui significativamente para a saúde.
A pergunta a que a Empresa de Pesquisa Agropecuária gostaria de saber é: qual das três variedades tem melhor qualidade e se o consumidor está interessado em obter um produto que não prejudica o meio ambiente ou consumir um produto que tem menor valor de mercado?- Essa indagação é do gerente da Epamig, Marco Antônio Viana Leite que informou também que essa mesma avaliação foi feita em Belo Horizonte em estabelecimentos como o Carrefour, Villefort entre outros.
Para Odete Pereira de Oliveira a banana prata ainda a agrada muito, mas tendo em vista, o não uso de substâncias químicas, vale levar para casa novas variedades. E como diria o provérbio gosto todo mundo tem o seu e não foi diferente com Silvana Lopes Silva e Graiciele de Carvalho Maia. Elas experimentaram as três variedades e as opiniões foram diferentes. Silvana preferiu a PA 4244 por acreditar que nela há maior presença de doce, maciez e menor acidez. Já Graiciele preferiu a Tropical pelos mesmos motivos. Mas o que elas têm em comum é que pagariam mais caro por um produto 100% saudável.

PRAÇAS

As praças compradoras da banana prata da região são: Rio de Janeiro, Distrito Federal, Belo Horizonte, e São Paulo; a cotação da caixa está na casa de R$ 28 embalada e R$ 26 preço pago ao produtor. De acordo com explicação da Abanorte o preço da fruta é de R$ 26 mais o adicional da taxa de embalagem no valor de R$ 2,00.
Cerca de 80% do produto regional segue rumo a essas praças comercializadoras. A reclamação dos produtores é quanto ao alto custo de produção e as possíveis doenças que a bananeira pode atrair.
Conforme informações da Empresa de pesquisa agropecuária de Minas Gerais novas variedades de banana estão sendo pesquisadas e novas serão apresentadas nos próximos meses. Com está acontecendo nesse período nas grandes cidades de Minas. Problemas como a sigatoka negra, mal do panamá entre outros são constantes de pesquisa da Epamig e da Unimontes.

Chega de monocultura: Projeto Jaíba pode alavancar com produção de café

Valéria Esteves


Café de alta qualidade será a nova pedida do Projeto Jaíba. Desde fevereiro cerca de 14 hectares foram plantadas numa parceria entre Ibar - Agroindustrial e pequenos produtores no sentido de buscar um café de qualidade e que possa entrar no mercado tanto interno quanto externo. Hoje a saca de 60,5 kg de café comoditie tem custado cerca de R$ 240 a R$ 260; sendo que há quem consiga comercializar um lote contendo de 30 a 40 sacas por até R$ 4 mil.


Cerca de 450 hectares vão ser plantadas nos próximos anos e a expectativa é tirar até 80 sacas por hectare


O sócio-gerente da Ibar, Eduardo César Rebelo informou que o café tem um melhor crescimento no Norte de Minas, especialmente no Jaíba, por ser irrigado e porque o clima favorece. Ele que também cultiva o grão no Sul de Minas diz que é possível notar que enquanto a produção cresce em 2,5 anos no Sul de Minas, no Norte de Minas produz em 18 meses, o que significa lucros e aumento na produtividade em menos tempo. Isso porque, defende Eduardo, a planta cresce durante todo o ano no Jaíba.
O plantio feito em fevereiro deste ano terá sua primeira cata em abril de 2007 e a primeira safra se dará em abril de 2008. A expectativa é que se tire de 75 a 80 sacas de café por hectare, tendo como base as três últimas colheitas da fazenda São Tomé, em Pirapora, que tirou essa média de sacas.
O café no Jaíba significa alternativa de renda ao pequeno produtor e emprego o ano inteiro para mulheres, homens e idosos, conforme a Ibar. Atualmente nove sócios entraram no negócio se dispondo a cuidar do cafezal diariamente, deixando-o bem capinado entre outros cuidados necessários ao bom andamento da produção. Outros pequenos produtores já se mostraram atraídos pelo plantio de café e a associação, antes com nove sócios, deve chegar aos 40 ao que tudo indica.
Há ainda um produtor que plantou uma média de 370 mil mudas e acredita que com os bons resultados da cotação do café no mercado e a produtividade acelerado no Jaíba, o comércio seja favorável.
Na década de 80, conta Eduardo, os cafeicultores chegaram a vender a saca do café ao preço de 100 salários mínimos, caso atípico, mesmo porque o que se busca hoje no mercado é estabilidade.
O café nacional é consumido no Japão, Finlândia, Dinamarca entre outros e tem qualidade e sabor aprovados no mercado externo. Especialistas acreditam que nos próximos anos é possível que o Brasil, maior produtor de café do mundo e o segundo maior consumidor no ranking, atrás apenas dos Estados Unidos, deva ganhar mais espaço e se estabelecer no mercado com força total.
INVESTIMENTO
No viveiro da Ibar, no município de Jaíba, há pelo menos 650 mil mudas, sendo que dessas, 550 devem ser plantadas pela empresa nos próximos meses e a sobra será comercializada. Isso depois que a empresa substituir as plantas que por acaso morrerem. Geralmente, segundo Eduardo, a mortalidade é 3% a 6%.
Ele que é sócio no Sul de Minas, junto com mais 22 fazendas que formam a Santo Antônio State Cofee, em Santo Antônio do Amparo, diz que vai plantar no próximo ano, cerca de 1,200 milhão mudas no Jaíba e mais essa mesma quantidade em 2008. O objetivo é plantar 450 hectares de café nos próximos anos e usar o método de irrigação por gotejo, a fim de diminuir os custos com a água e energia. O empresário conhecedor do mercado externo comercializa o café gourmet e acredita que os preços do grão devem se estabelecer. Pelas contas, cada hectare deve render uma média de quase R$ 20 mil se somados a saca ao valor de R$ 260 e contabilizar 75 sacas por hectare.
Em Minas Gerais a média por colheita é de 17 sacas por hectare e em Pirapora, os resultados até agora apresentados, são o dobro dessa média.
- O máximo que os cafeicultores mineiros têm conseguido chegar é a 35 sacas por hectare em alguns lugares. Nós poderíamos colocar mais adubo na plantação e tirar mais que 80 sacas por hectare, mas a planta tem um limite genético de produção. Não é interessante alcançar os 100% em uma colheita e tirar umas 35 sacas na próxima, quando podemos manter uma média 75 a 80 sacas, o que também será sabido a partir da primeira cata de café - explicou.
Para concluir, o empresário lembrou que os pequenos produtores ou pelo menos seis ou sete estão com médias boas de produção. Há algumas plantações com frutos nos pés.
Com o aumento da população brasileira as perspectivas de mercado só aumentam, já que o Brasil consume muito café. Como a população dos Estados Unidos não tem para onde crescer, conforme indicadores de mercado, a expectativa é de que o mercado interno necessite de pelo menos um milhão de sacas do grão para atender a demanda.
O Brasil tem crescido de 3% a 5% ao ano no mercado interno com o comércio do café, alcançando a marca de 2% nas exportações.